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sábado, 22 de setembro de 2012

O povo saiu à rua (4)

Avª da República, Lisboa.
15 de Setembro de 2012

fotografia minha

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Palavras intraduzíveis

As palavras contam. Contam sempre e contam muito, mesmo que digamos que uma fotografia vale mais que mil palavras ou que o silêncio é de ouro. Nada contra e também é verdade, a vida nunca é a preto e branco e há sempre várias versões para a mesma história. E agora chega de frases feitas. Os portugueses ligam às palavras e gostam de alardear e apregoar que são detentores da única palavra que não tem tradução. Acontece que eu tenho muito orgulho da palavra ‘saudade’ mas não acho que seja a única sem equivalente noutras línguas. Consigo encontrar em inglês uma ou outra cuja tradução fica aquém do significado. Quem já pôs pé nas ilhas britânicas e na ilha esmeralda terá sido invadido por uma panóplia de sensações contraditórias. Primeiro, a certeza de que jamais seriam capazes de viver num lugar com a invernia a assombrar-lhe os dias, o nevoeiro e a bruma como companheiros presentes e diários, o frio a açoitar-lhes os corpos e o vento a sacudir-lhes os cabelos como quem varre furiosamente as folhas de outono. A segunda, e muito falada, é a ‘frieza’ dos povos ali acima de França. Diz que são pouco dados a contactos amistosos, metem-se em casa como se fossem tocas e não vão em comboiadas, a menos que sejam bem regadas e num ambiente de festança desvairada. O português é rapaz a quem faz falta a ladainha da desgraça e para quem a pergunta/cumprimento ‘tudo bem?’ terá como resposta certa o desfilar de misérias, joanetes, bicos de papagaio e maleitas diversas, um certo recolhimento na exibição das dores privadas é encarado como sinal de frieza. ‘Lá em cima’ não querem saber de joanetes e catarros. Ponto. E vinha isto a propósito do que não se traduz. Uma das sensações contraditórias naquelas ilhas plantadas no meio do mar fustigadas por vento e circundadas por mares alterados é contraposta por uma das minhas sensações e sentimentos preferidos consubstanciados em Inglês pela palavra ‘cozy’. Alguém porventura terá encontrado um equivalente justo àquela sensação de se entrar numa casa cuidada, aquecida e confortável onde tudo parece cuidadosamente colocado e delicado, coroada por uma chávena de chá bem quente e uns scones e uma fatia de bolo caseiro? Ou a sensação de lareira acesa, fogo a crepitar mansinho e olhos brilhantes entretidos em palavras doces e momentos tranquilos? E ainda assim faltam-me as descrições. É isto mas é mais. Por agora fiquemo-nos por uma fatia de bolo caseiro feito com ingredientes a sério e uma chávena de chá perfumado.

Receita aqui.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O povo saiu à rua (3)

Praça José Fontana, Lisboa, 15 de Setembro de 2012

fotografia minha.

domingo, 16 de setembro de 2012

O povo saiu à rua (2)

Avª da República, Lisboa, 15 de Setembro 2012.

fotografia minha.

sábado, 15 de setembro de 2012

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

E da noite se fez dia.

Enquanto assistia no Facebook ao 'coiso' que nos (des)governa, fui beijada pela declaração doce de uma aluna. Poupo-vos aos detalhes, não vão fugir daqui a correr, saltando entre posts e links, para não escorregarem na lamechice pungente, mas digo-vos que palavras assim alumiam o dia e aquecem o coração. Fazem valer a pena. Tudo. Não há mais nada que um professor possa desejar. Pronto. Já disse.

domingo, 9 de setembro de 2012

Isto não são excepções e não vai haver aumento de impostos e eu sou o Pai Natal

O (des)governo abre mão de milhões de euros em excepções que simpaticamente epitetou de 'adaptações' e outros sinónimos agradáveis. Honra lhes seja feita que são muito criativos a dourar a realidade: Relvas licenciou-se como se viu mas não é bem assim. É tudo legal e transparente e a léguas de distância de José Sócrates que pelo menos não teve equivalências por rancho folclórico nenhum. Menos mal para ele. Na sexta-feira brindaram-nos com o mais abjecto aumento de impostos, apelidaram-no, contudo, de qualquer outra coisa como se fôssemos incapazes de fazer contas e pensar. Nada é o que parece. Nem mesmo o (des)governo. É bem pior do que parecia.

A corja que nos governa

Umas horas depois de nos ter comunicado ao País o corte nos salários.
É a isto que estamos entregues.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Crónica de uma desgraça anunciada


A alma recostada na arte de nada fazer. Acordar de manhã e vestir uma roupa confortável e inconsequente, havaianas nos pés e a esperança de dias longos de sol sem preocupações Estatelar os pés na relva e conversar sobre coisa nenhuma com as gatas que se vão enrolando, entrando e saindo de casa sem restrições como se também a elas fosse permitida uma quebra na rotina. Telemóvel mudo e quedo. E depois sair daqui de passaporte no bolso ou cartão de cidadão ou bilhete de identidade, algo que me permita galgar fronteiras para deixar para trás um país decadente de governantes execrandos. Estava eu nesta vida de nada fazer quando fui chamada pelas minhas obrigações de fada do lar. Rumo ao supermercado, era um Sábado de manhã talvez, passeio rápida pelos corredores de lista na mão para não me perder e me encontrar em coisas que não preciso, e quando estava lá no corredor dos queijos, quase depois de me ter encontrado num delicioso queijo Feta, vi-a do outro lado, na encruzilhada entre as margarinas e os gelados. Trazia a mesma roupa que usa nos dia-a-dia que vamos partilhando, preocupante só de si, e que me fez soar os alarmes e regressar por instantes à vida profissional. O coração a bater mais forte, tomado de aflições para me recompor e mandar às urtigas isso que se chama de vida profissional. Abeiro-me da criatura acompanhada das crias, lanço-lhe um cumprimento sincero de sorriso largo bronzeado e do outro lado sou recebida com um esgar de espanto, um misto de qualquer coisa entre a surpresa e o horror. Digo-lhe Olá! Responde-me de mão no peito Ai credo! Gosto muito de te ver mas só de pensar no que aí vem… Rosto contristado como se fosse mensageira da desgraça, euzinha vinda de cobiçar um queijo Feta, acabada de sair da secção de legumes tão saudáveis. Esperei pela capitulação, um olá, uma qualquer expressão que me permitisse ver que a criatura estava a brincar. Não estava. Resmunguei qualquer coisa e dei corda às havaianas, sim, vou de havaianas ao supermercado, desaparecendo entre as bolachas e as tostas.
E parece que amanhã é esse tal dia primeiro do ‘que vem aí…’, um daqueles anos que ninguém deseja. Depois desta recepção estou pronta para tudo. Let the games begin.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012