sábado, 31 de janeiro de 2009
Rain
Estantes e gavetas:
com mundo dentro
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Sodade
Diz que hoje é dia dela e eu tenho sodade também. Sodade de beber um ponche no Mateus no Sal, ou de comer um cozido de peixe em S. Tomé, beber uma capirinha acompanhada com uma espetadinha de camarão na praia, pode ser em Búzios, sobrevoar o Rio de Janeiro, passar uma tarde no Pelourinho em Salvador ou descer pelo Elevador Lacerda ao Mercado Moderno, subir ao Bonfim, calcorrear Havana e retemperar o calor com um mojito pelo meio-dia e ver a manhã chegar em Negril. Ai sodade, sodade.
Estantes e gavetas:
com mundo dentro
Excelentemente nus
E sempre que me abeiro do computador as crónicas, os textos e os posts surgem, os que não posso escrever, mas que me saltam sem que nada possa fazer, o desfile das presunções alheias, os reis e rainhas que vão nus e que vejo passearem-se à minha frente, provavelmente em qualquer sala de professores, o embuste de uma avaliação que diz distinguir os muito bons dos medíocres. E lá vão eles, os muito bons e excelentes desfilando com pompa e circunstância, embriagados pelo seu ego maior do que a competência que querem agora alardear, enganando-se apenas a eles próprios e aos papalvos que saltam de caixa de comentário em caixa de comentário dando vivas a uma política de educação degradante e chacinando os professores vistos do alto do seu douto umbigo.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Crónica de uma professora entupigaitada
Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai Os posts que eu escreveria se pudesse...
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Coincidências
Estar a dar os graus de parentesco em plena crise de consanguinidade lá para São Bento.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Terça-feira
Estantes e gavetas:
terça-feira no sítio do costume
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Nacos de prosa (7)
Um dia, Gronk, o Cro-Magnon do Norte, disse (logo depois de ter inventado a linguagem) a Bonga-Bonga, Cro-Magnon do Sul: "mim diferente tu". O que poderia ter sido o início de uma afirmação inteligente tomou-se, desde logo, razão para uma troca de marretadas porque Gronk acrescentou: "tu diferente mau, mau". Desde então enraizou-se cada vez mais, através da longa história da estupidez humana, a ideia de que as diferenças entre seres humanos são uma coisa negativa. Isso aparece espelhado em frases, muitas vezes repetidas, acerca de "diferenças inconciliáveis" ou pessoas que se agrediram entre si por "não conseguirem resolver as suas diferenças".
Vítor Rodrigues, A Nova Ordem Estupidológica
Estantes e gavetas:
nacos de prosa
domingo, 25 de janeiro de 2009
sábado, 24 de janeiro de 2009
A lambisgóia contra-ataca
De há um tempo a esta parte arquitecto na minha cabeça um folhetim de episódios vários já confessado aqui, uma espécie de literatura de cordel para ser vendida em fascículos lado a lado com o Borda da Água. Depois de ter aberto uma grande superfície comercial aqui perto, ir ao supermercado tem sido uma aventura. Há dias que me desloco numa intencional caça ao post ou à crónica. Nesses dias o atendimento corre sem incidentes, as crónicas e posts encolhem-se entre os frascos de espargos, já vi uma esgueirar-se entre as beringelas e as courgettes e outro dia apanhei um post pela cauda, ia já escapulir-se ligeirinho entre o detergente para a roupa e o amaciador. Agarrei-o in extremis e aprisionei-o às letras.
Neste dia não ia à caça ao post. Cansada depois de um dia de trabalho lancei-me nas compras tradicionais e cumpri com exactidão a declaração de intenções lavrada num diminuto papelito branco pela fugaz hora de almoço. Há sempre algo que escapa, porém, e quando me ia embora lembrei-me que me faltavam ovos, agarro pois uma embalagem de uma dúzia e dirijo-me à caixa. Nos tempos que correm, deixámos de ser donos e senhores no que respeita à arrumação das compras nos sacos de supermercado, suspeito que a razão se deverá a uma usurpação pungente dos ditos por parte da fauna hipermercadeira que os arruma aos magotes entre as compras, o português é detentor de uma incontrolável ímpeto usurpador caso lhe seja oferecido algo. Assim sendo, tenho-me visto privada desse momento e vejo as minhas compras a serem encafuadas nos sacos de acordo com os humores dos caixas que, à semelhança de outros espécimes da fauna lusa, têm humores muito diversos. Encontro ex-alunos sorridentes e bem-dispostos prontos a cumprimentar a ex-professora, outros mais tímidos, mulheres de carranca em dias difíceis, jovem inanes incapazes de juntar um mais um e outros espécimes sem classificação. O último destes encontrei-o neste mesmo dia, quando ao arrumar-me as compras, espetou-me a embalagem de uma dúzia de ovos, altiva, na vertical, provavelmente uma estratégia para aumentar as vendas. Quando chegasse ao carro nem as cascas se aproveitariam. É melhor pensar assim do que admitir que nos dias que correm a maior parte das pessoas que nos atendem não são capazes dos gestos mais básicos e confundem uma dúzia de ovos com uma baguete de pão.
Neste dia não ia à caça ao post. Cansada depois de um dia de trabalho lancei-me nas compras tradicionais e cumpri com exactidão a declaração de intenções lavrada num diminuto papelito branco pela fugaz hora de almoço. Há sempre algo que escapa, porém, e quando me ia embora lembrei-me que me faltavam ovos, agarro pois uma embalagem de uma dúzia e dirijo-me à caixa. Nos tempos que correm, deixámos de ser donos e senhores no que respeita à arrumação das compras nos sacos de supermercado, suspeito que a razão se deverá a uma usurpação pungente dos ditos por parte da fauna hipermercadeira que os arruma aos magotes entre as compras, o português é detentor de uma incontrolável ímpeto usurpador caso lhe seja oferecido algo. Assim sendo, tenho-me visto privada desse momento e vejo as minhas compras a serem encafuadas nos sacos de acordo com os humores dos caixas que, à semelhança de outros espécimes da fauna lusa, têm humores muito diversos. Encontro ex-alunos sorridentes e bem-dispostos prontos a cumprimentar a ex-professora, outros mais tímidos, mulheres de carranca em dias difíceis, jovem inanes incapazes de juntar um mais um e outros espécimes sem classificação. O último destes encontrei-o neste mesmo dia, quando ao arrumar-me as compras, espetou-me a embalagem de uma dúzia de ovos, altiva, na vertical, provavelmente uma estratégia para aumentar as vendas. Quando chegasse ao carro nem as cascas se aproveitariam. É melhor pensar assim do que admitir que nos dias que correm a maior parte das pessoas que nos atendem não são capazes dos gestos mais básicos e confundem uma dúzia de ovos com uma baguete de pão.
Estantes e gavetas:
ai portugal portugal
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Hoje não há post...
e amanhã também não sabemos.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
A cronicar é que a gente se entende
Estantes e gavetas:
terça-feira no sítio do costume
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
sábado, 17 de janeiro de 2009
Quem não tem medo de Florbela Espanca
Das características que o meu pai me deixou como legado lamento não ter herdado a capacidade cirúrgica de não deixar passar uma gralha que fosse. Habituado e familiarizado com a língua portuguesa também por motivos profissionais tornou-se num guardião implacável. A meio das conversas, quando lia uma revista ou se lia um rótulo, aconteceu num duma garrafa de azeite e noutro de uma garrafa de vinho, a perspicácia aliada a muita prática saltava sem pedir licença. Acontecia, por exemplo, a incursão ao prontuário a meio do almoço ou do jantar, uma busca rápida nos dicionários na estante do corredor entre a sopa e a sobremesa, o prato principal que seria debatido ainda ao café e cuja digestão se prolongaria pela tarde e noite fora, dias, meses e anos se fosse preciso. Às vezes pergunto-me como seria se me lesse o blogue, os alqueires de vírgulas a colocar, as alterações que sugeriria no seu jeito único, Tens ali uma coisita, bem, não sei, mas eu, se fosse a ti… Era então chegada a altura para eu me afirmar, Pois, mas eu gosto assim. Isso que dizes não é a mesma coisa. Regularmente ficaríamos ambos naquilo que um e outro fazíamos melhor um com o outro, ou não fôssemos tão parecidos na afirmação dos nossos pontos de vista: teimar irredutivelmente para ficar inabalavelmente no mesmíssimo lugar. E caso a genética me tivesse bafejado não haveria por aqui gralhas ou imprecisões. Não bafejou infelizmente. Podia ter-me levado a irredutibilidade nos pontos de vista a troco de umas vírgulas e rigor, até porque não só o meu pai era um velador devoto da língua. A minha mãe é uma zeladora atenta. Nada passa em branco. Digo-lhe Já leste a crónica desta semana? Já. Gostei muito, mas, olha, tens lá uma vírgula a mais... ou uma letra a menos ou a mais. Há sempre algo a faltar ou a sobrar. Desta vez não foi a crónica. Desta vez estava eu em frente ao computador, algures pela hora de almoço, a ditar um soneto de uma conceituada poetisa portuguesa a uma amiga, quando soou o alerta da pontuação Vírgula? Eu não punha aí uma vírgula. Desatenta à leitura que eu fazia e do que fazia, ouvindo apenas a minha voz, a minha mãe continuou Tantos pontos de exclamação? Ó Florbela Espanca, para a próxima que te puseres a escrever sonetos pergunta aqui à minha mãe que ela dá-te uma ajudinha com a pontuação, sim? Tanto ponto de exclamação, mulher. Havia necessidade?
Estantes e gavetas:
três letrinhas apenas
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Decisões
Estantes e gavetas:
papéis pintados com tinta
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Mais um
Cento e oitenta e duas páginas depois ainda não cheguei à parte em que este, A Viagem do Elefante, é o melhor Saramago depois do Nobel ou depois do Memorial do Convento. Cá para mim é um Saramago, imaginativo e muito bem escrito, notável tendo em conta a situação em que foi escrito mas mais um Saramago.
Estantes e gavetas:
papéis pintados com tinta
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Falta justificada
Vão perdoar-me a ausência, mas com cerca de cinquenta comentários à perna foi difícil passar por aqui.
Estantes e gavetas:
aconteceu na blogosfera
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Odisseias do quotidiano feminino
Estantes e gavetas:
leituras blogosféricas
Terça-feira

A minha televisão tem apresentado, porém, uma sintomatologia preocupante, quiçá indiciadora de uma desordem galopante que se tornou reincidente ao longo dos anos. Os episódios acontecem esporadicamente durante a semana, repetindo-se de forma muito mais efusiva e acentuada aos fins-de-semana...
E o resto pode ser lido no sítio onde há sete mulheres a cronicar, no PNETMulher
fotografia: Abhayah
Estantes e gavetas:
terça-feira no sítio do costume
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
A utilidade dos livros
'And what is the use of a book,' thought Alice, 'without pictures or conversations?'Lewis Carrol, Alice's Adventures in Wonderland and Through the Looking-Glass.
fotografia minha
Estantes e gavetas:
miados e ronrons
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