fotografia minha
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
sábado, 8 de agosto de 2009
Efeito FarmVille (1)
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
2500 caracteres depois...

Em Setembro próximo quando exercer o meu direito e o meu dever usarei também a minha única arma: o voto.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Procuram-se
terça-feira, 4 de agosto de 2009
À atenção do S. Pedro
domingo, 2 de agosto de 2009
Dois dias
sábado, 1 de agosto de 2009
Agosto
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Nacos de prosa (12)
(microencefálicos, macroencefálicos, coxos, marrecos, estrábicos divergentes e convergentes, bócios, braços mirrados, mãos com seis dedos, mãos sem dedo nenhum, mongolóides, dirigentes políticos, etc)
António Lobo Antunes, "A consequência dos semáforos" in Livro de Crónicas
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Quem mexeu no meu livro?
terça-feira, 28 de julho de 2009
Período de reflexão

segunda-feira, 27 de julho de 2009
Autos-de-fé e lápis azuis
sábado, 25 de julho de 2009
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Julhos
Fiz-me, pois, à vida queixando-me furiosamente e desejando com todo o ardor chegar àquela que seria a minha casa nas duas semanas seguintes para calçar a única coisa que me podia salvar do frio infernal: uns ténis comprados à pressa, não fossem os ingleses terem virado alemães e dar-lhes para fazer umas Wanderungen pelos matos oxfordianos fora. Uma vez chegada a uma das típicas casas inglesas de baywindow em pleno countryside, a alguns quilómetros de Oxford, descansei. Era pôr-do-sol. Umas réstias de sol entrecortavam a janela de onde avistava um bosque retemperador, lá para o outro lado da estrada. Era assim a minha casa onde habitavam dois boys com actividades de tempos livres capazes de ocupar uma família inteira não fossem peder-se num qualquer minuto livro com os respectivos pai e mãe e um gato, Jasper de seu nome. Depois dos cumprimentos e apresentações, algumas palavras de circunstância com os anfitriões sobre o ténis em Wimbledon entre Nadal e Federer, a passar no ecrã gigante da casa de baywindow, dei-me um tempo para ver se aquele friozinho que entretanto se estendera a outras partes do corpo não seria apenas das diferenças de temperatura, algum tempo de aeroportos e aviões. Não era. Era frio, frio que me obrigou a pedir à Paula e ao Keith, os meus anfitriões, que me ligassem o aquecimento do quarto, please. Era Julho.
E nos dias seguintes, Londres, Bath, Stonehenge, Christ Church, Alice’s Shop, Bodleian Libary, museus, torres, universidades, tea and scones e ales depois, o frio foi uma constante e, por assim ser, todos, mas todos os dias me ressarci com uma chávena de chá bem quente, o melhor bálsamo que conheço para a invernia depois de Glühwein. Era isto em Julho. E não mais bebi chá no Verão. Até hoje. Hoje que não pedi ao Keith e à Paula que me ligassem o aquecimento, não teci comentários de circunstância ao Nadal e ao Federer, não quis saber dos boys no remo, no atletismo, no futebol, na pesca, estou a beber uma caneca de chá. Como se fosse Oxford e o frio entrasse na alma. Earl Grey descafeinado, para que conste. Uma caneca cónica laranja com flores vermelhas, reminiscência do Verão que fugiu. Em pleno Julho.

quarta-feira, 22 de julho de 2009
Giros e talentosos
segunda-feira, 20 de julho de 2009
A importância do nome
Ora se o Manel de chamasse, digamos, Miguel Sousa Tavares tinha o assunto resolvido e podia publicar este novo género de quase romance, a tal narrativa curta, contando uma das suas aventuras ao deserto com uma mulher com quem aparentemente teve um relacionamento amoroso e que morreu entretanto. No teu Deserto é apenas isso: um devaneio, sem grande qualidade de escrita. O texto está cheio de lugares-comuns, a noite estrelada a tempestade da areia, o desenrascando luso, o silêncio do deserto, uma mulher convenientemente loura que já se sabe resulta muitíssimo bem em países árabes como moeda de troca por cáfilas de camelos. Muito inferior a Sul, Não te deixarei morrer, David Crockett ou a Equador, o livro não traz qualquer novidade. Servirá apenas o voyeurismo dos leitores e ocupará uma boa parte de uma lânguida tarde estival, há sempre que não goste de leituras pesadas no Verão. Miguel Sousa Tavares já mostrou que é capaz de bem melhor. No teu Deserto só viu a luz do dia porque o seu autor é quem é. Se fosse o Manel, por exemplo, nunca passaria da intenção e muito bem.
domingo, 19 de julho de 2009
Procura-se...
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Certas e determinadas coisas
Assim que entro sou brindada com o “Público”, que esta sexta-feira tem a maior ratoeira para mulheres sensíveis como eu, não sensíveis assim no abstracto. Como se sabe às vezes tenho uma couraça impenetrável e nem sempre sou sensível a queixumes e desgraceiras, mas sim sensível a certas e determinadas coisas, como diz o povo, e nessas certas e determinadas coisas inclui-se o Chico. Ora, o Chico que em novo nunca me despertou grande interesse a não ser pelas canções, tornou-se agora nesta idade interessante o mais charmoso dos sexagenários. Os olhos, ai aqueles olhos, os livros, cruzes credo, agora deu-lhe para escrever, e aquela complexão magrizela e displicente dão cabo de mim. No Chico há aquela fragilidade aparente, no olhar aquela súplica miudinha que arrasa as mulheres de couraça como eu e a impassividade, meu deus, a impassividade geminiana masculina quase fleumática que faz rombo no bicho de coração empedernido que me assola amiúde. Foi também por isso que a manhã hoje não foi a mesma.
Pousei com cuidado o jornal na horizontal no fundo do carrinho de compras, não fosse acontecer-lhe algo e fui-lhe deitando um olho. Ele também me deitava um olho, os dois na verdade e insistentemente. Quando fui ao sal para a dourada, coloquei-o cuidadosamente sobre o jornal tapando-lhe a boca e os olhos fitaram-me ainda mais no cinzento do jornal. Ai Chico Chico. Depois fui às cenouras que coloquei cuidadosamente no outro extremo, bem como o pack de seis garrafas de água. À medida que as compras se avolumavam a minha preocupação crescia. O Chico, contudo, mantinha-se impassível com aqueles olhos que se lhe conhecem. O busílis foi quando no peixe me deram a dourada e as sardinhas todas besuntadas, e vi o saco molhado e com o cheiro intenso do conteúdo perigosamente dependurado nas minhas mãos. E o Chico? paniquei. Acha que vou pôr este peixe por cima do Chico? pensei. A empregada encolheu os ombros e gritou NOVENTA E TRÊS, indiferente e até provocadora. Ciúmes cá para mim, bem vi o olhar de soslaio para o fundo do meu carrinho. Resolvi o problema metendo o peixe num saco extra. Havia que proteger aqueles olhos cristalinos que me fitaram no périplo matinal e preservá-los de toda e qualquer conspurcação, talvez me cantassem quando chegasse a casa Quando eu chego a casa nada me consola …, você é tão bonita… Eu quero ir-me embora. Eu quero é dar o fora E quero que você venha comigo.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Cronicando
terça-feira, 14 de julho de 2009
A ciência explica...

segunda-feira, 13 de julho de 2009
De regresso
sexta-feira, 10 de julho de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Gone
sábado, 4 de julho de 2009
A primeira
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Julgamento sumário
terça-feira, 30 de junho de 2009
A derradeira

E passaram sessenta e uma semanas, houve uma semana em que escrevi duas crónicas, e assim derramei no papel e ecrã sessenta e duas crónicas, a módica quantia de mais de cento e cinquenta e cinco mil caracteres escritos sempre ao mesmo dia da semana, sensivelmente à mesma hora, sem qualquer ritual digno desse nome nem sequer imbuída do espírito místico da inspiração transcendental. Apenas eu sentada ao computador que após uma incursão furiosa sobre a temática a que me iria cingir e abordar na segunda-feira seguinte, para que a crónica pudesse invadir o espaço cibernético na terça-feira, me desmultiplicava em ideias e letras.
domingo, 28 de junho de 2009
Memorando
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Leituras
terça-feira, 23 de junho de 2009
Cronicando pela 61ª vez

O Verão, o Cristiano Ronaldo, a Dona Dolores, as amigas do Ronaldo e a crise estão juntos na mesma crónica.
Ide lá espreitar.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
domingo, 21 de junho de 2009
Eu gosto é do Verão (7)
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Palavras inúteis
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Nacos de Prosa (11)
Alguns hotéis brasileiros imitam os americanos e deixam uma Bíblia no quarto, e ela tem sido a minha salvação, embora não no modo pretendido. Nada como um best-seller numa hora dessas. A Bíblia tem tudo para acompanhar uma insónia: enredo fantástico, grandes personagens, romance, o sexo em todas as suas formas, ação, paixão, violência - e uma mensagem positiva. Recomendo «Génesis» pelo ímpeto narrativo, «O cântico dos cânticos» pela poesia e «Isaías» e «João» pela força dramática, mesmo que seja difícil dormir depois do Apocalipse.
Luis Fernando Veríssimo, "Fobias" in Comédias para se ler na Escola.
terça-feira, 16 de junho de 2009
A sexagésima
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Gestação em curso
Os dias com Eulálio
domingo, 14 de junho de 2009
Quatro Décadas e uns pozinhos
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Catarse
E agora que estou muito mais aliviada já posso prosseguir com a minha vida.
Receituário do mês...
quinta-feira, 11 de junho de 2009
À espera do estio
terça-feira, 9 de junho de 2009
O mundo pode acabar...

A Geração Idiota pavoneia-se livro afora. Abrange indivíduos dos 15 aos 45 anos, o que não me deixou nada tranquila, e que se manifesta nas mais diversas áreas da vida: pessoal, profissional, no amor, no lazer, na educação, na relação com o dinheiro. Abundam os comportamentos desconexos, sem maneiras e imbecis.
domingo, 7 de junho de 2009
Amarílis Benfica
sábado, 6 de junho de 2009
Ossos do ofício
quarta-feira, 3 de junho de 2009
terça-feira, 2 de junho de 2009
Terça-feira
domingo, 31 de maio de 2009
O pequeno ditador
Entre o burburinho que presumo habitual, uma fila desencorajadora no peixe e os carrinhos a abarrotar, cruzei-me com uma mãe carregando o filho de um lado e o carrinho de compras no outro. O ar de desânimo e estafa no rosto da mulher bem jovem denunciam o suplício que passará entre dois pólos da sua existência, a vida doméstica de um lado, e do outro, a maternidade, empurrada como quem empurra o mundo, o contraste infeliz com a manhã tépida e apaziguadora de sol. Mais um volta e ouço o grito de uma outra mãe, o eco lá para o corredor das bolachas Francisco! Ó Francisco! e depois a reincidência num tom ainda mais elevado Francisco! Avisto entretanto o Francisco, uma criança de uns quatro, cinco anos previsivelmente, a empurrar o carrinho de compras, cada vez mais alheado ao chamamento da mãe. Impávido e sereno o Francisco seguia o seu caminho como se nada, rigorosamente nada, fosse. Francisco! Desta feita, o Francisco ia já bem ligeiro a afastar-se da vista da mãe. A progenitora acorreu à criança para que não a perdesse de vista e arremessou-lhe com mais uma ralhadelas sonoras, a que o Francisco correspondeu com uma altaneira ignorância do alto da sua ínfima idade. Francisco, o que é que tínhamos combinado? Nada. Mãos adentro de uma prateleira, ia lampeiro buscar algo da sua preferência. Já que o obrigaram a ficar pelo menos traria algo consigo. Mais uma admoestação e nada. A mãe corre lesta para o carrinho, furiosa e descontrolada, e retira algo a que o Francisco finalmente reage com o choro imediato. A mãe, com o desespero estampado no rosto, cede e diz-lhe Então pronto! Surpreendente que aos quatro, cinco anos aquela mãe não consiga impor-se, ceda às chantagens do pequenote e que fique desesperada. Menos surpreendente é, pois, que quando adolescentes não lhes consigam fazer nada.
Domingo
sábado, 30 de maio de 2009
Voltar
E depois de arrumadas as malas e instalada bem lá no último piso do sobrado com um terraço de chão de madeira e uma rede amarela tão convidativos que lá ofereci o corpo beijado pelo sol à descontracção, arrumei os meus dias no Rio e me abandonei ao reencontro com as minhas origens, o deve e haver da matriz miscigenada, foi pôr pé nas ruas de paralelepípedo e adentrar uma das vilas mais acolhedoras que conheço. A vegetação exuberante e as montanhas em pano de fundo, o casario bem cuidado, os sobrados e a calçada, a praça de dia mais tranquila e de noite animada pelos artesãos, uma caipirinha com a cachaça certa e, acima de tudo, a mistura alquímica de que são feitos todos os lugares mágicos que nos preenchem a alma: algo indizível, dificilmente descritível, algures entre a plenitude e a nostalgia que transportamos como uma tatuagem na alma. Um passeio de escuna para me banhar nas águas mais tépidas e prazeirosas que conheci no Brasil e para sempre o ar quente e húmido, exactamente como eu gosto, o calor displicente que embala os corpos e amacia a alma e depois mais uma volta no mato para o banho indispensável de cachoeira, há sempre uma cachoeira à nossa espera no Brasil, e depois voltar e guardar bem perto do coração aquele pedaço de Brasil mesclado com Portugal e sentir esta vontade de perdidamente voltar.
fotografia minha
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Constatações
Pertences-me

Com um agradecimento muito especial ao Aventino que me permitiu mais este devaneio e me fez chegar o livro directamente do Brasil.
fotografia minha
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Sem desculpas
terça-feira, 26 de maio de 2009
Terça-feira
Pelo direito à escolha
domingo, 24 de maio de 2009
Estrela do momento
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Receituário do mês
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Quinta-feira de espiga
terça-feira, 19 de maio de 2009
À terça, a crónica
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Ataque súbito de optimismo
domingo, 17 de maio de 2009
Nacos de prosa (10)
valter hugo mãe, o apocalipse dos trabalhadores.
sábado, 16 de maio de 2009
Leituras e manias
Naquele dia não houve fragrância. Excluamos, pois, este factor de sedução. Naquele dia, na Feira do Livro, os olhos ter-me-ão brilhado, quando chegada à caixa com três livros me informaram que, se comprasse quatro, o mais barato era oferta. E porque aos livros não se viram as costas e tamanha generosidade livreira é inaudita por cá, retomei o périplo anteriormente interrompido pela auto-disciplina a que surpreendentemente me havia submetido. Rumei direita e sem hesitação a um livro que namorara meses antes, também ainda desgostosa pela quase ausência de livros brasileiros no certame luso e Os Lados do Círculo de Amílcar Bettega juntou-se a Passado Perfeito de Leonardo Padura, O Melhor da Comédia da Vida Privada de Luís Fernando Veríssimo e a O Planalto e a Estepe de Pepetela. E estaria tudo a correr muito bem, se não tivesse entretanto regressado ao livro e esbarrado em dois, logo dois, dois pontos e vírgulas, na primeira página. Num texto nutro especial animosidade contra os ditos. Erguem-se na prosa como barreiras, um salto a que obrigam para que se prossiga. Incomodam-me, fazem-me parar expectante na enumeração que se adivinha e, admito-o, irritam-me. Não sei se volte à Feira e reclame o produto defeituoso ou faça o que os leitores sem manias fazem: ler o livro.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Mercúrio retrógrado
quarta-feira, 13 de maio de 2009
terça-feira, 12 de maio de 2009
Palavras
Cronicando
Ide ao PNETMulher para ler o resto e opinai.segunda-feira, 11 de maio de 2009
Descobertas
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Caldo entornado (Parte 2)
Nesta coisa dos livros há sempre uma última esperança e ainda acalentei secretamente a fé de ver os meus infiltrados chegar sorridentes, a correr ao meu encontro, em câmara lenta como nos filmes, e saltarem-me para os braços com o livro entre mãos que libertaria em jeito de piscadela de olho cúmplice aquele olhar cristalino do Chico e o aroma do meu Rio de Janeiro. Debalde. Apareceram sorridentes mas livrinho nem vê-lo.
A saga continuou: primeiro desconheciam o livro, o nome, quiçá o autor – não sei e nesta hora tardia não posso confirmar mas apetece-me que assim seja por razões óbvias às quais não são alheios algum ressentimento e uma raivinha cega - e depois ainda argumentaram que o livro era deste ano. Presume-se que como o Brasil é um país longínquo não haverá novas tão cedo. Eu, como rapariga obediente, farei o que me mandaram fazer em plena Feira do Livro de Lisboa: ir à Internet.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Caldo entornado
Sábado soalheiro e escaldante. Dirijo-me aos pavilhões do Brasil para satisfazer o meu desejo. Fui informada de que havia livros de autores brasileiros na representante habitual em Portugal e, depois de atravessar o parque, dei de caras com a editora. Os livros brasileiros ocupavam um espaço ínfimo, ainda consegui vislumbrar do lado de lá alguns livros do Drummond. Nada de novo, portanto, motivo suficiente para uma rotunda desilusão. Não seria de esperar um maior oferta tendo em conta o país convidado? Entretanto, um homem não muito jovem acorreu em meu auxílio, ter-me-á visto de cabeça esticada a tentar decifrar as lombadas, e após a habitual procura nas estantes decidiu-se Não tenho, mas espere que vou perguntar se há no armazém. Seguiu-se uma troca curiosa de palavras. O homem perguntava-me se eu tinha internet, que podia pedir pela internet, que também podia ir à livraria, era mesmo ali, para ir lá. Ora uma mulher tem os seus limites e nunca vi alguém estar em plena Feira do Livro e sugerirem-lhe que mandasse vir o livro pela internet ou que fosse à livraria. O meu desagrado pelo insólito começava a notar-se. Livraria? Internet? Entretanto aproximou-se um homem mais jovem. Que ia ver se tinha no armazém. Pedi-lhe então que me reservasse um exemplar de Leite Derramado de Chico Buarque, caso houvesse, e que passaria um dia desta semana para o ir buscar. O homem não se deu por achado. Não era preciso. Não era preciso deixar nome. Ia ver e se houvesse trazia uns para a feira. Tentei explicar em vão que queria mesmo o livro e que não queria correr o risco de que fosse vendido antes de eu lá ir. O homem menos jovem insistia na internet, também na livraria, ali, é mesmo ali. O mais jovem acrescentou que segunda-feira de manhã me ligaria então, sem falta nenhuma. Hoje é quarta-feira e, pelo caminho e sintomático silêncio, não só não há Leite Derramado, como temos o caldo entornado.

135.000 caracteres depois
terça-feira, 5 de maio de 2009
À terça, a crónica
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Em louvor ao sol
domingo, 3 de maio de 2009
O oftalmologista da minha mãe
sábado, 2 de maio de 2009
Livros à solta
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Sinais dos tempos socráticos
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Pedaço de mau caminho
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Desolada...
Um link nunca é de graça
terça-feira, 28 de abril de 2009
Cronicando
Para ler o resto nada como uma saltadinha ao PNETMulher
imagem: Paula Rego, Sit
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Bloemen
domingo, 26 de abril de 2009
O tempo da descoberta
Faz hoje trinta e cinco anos que a mulher do PIDE dormiu lá em casa. Apesar do meu pai ter visto o PIDE rumar ao seu trabalho, talvez na António Maria Cardoso, e não o ter avisado de que havia uma revolução em curso e que provavelmente não voltaria para jantar. A mulher do PIDE era colega da minha mãe na escola, tinha dois filhos pequenos, o mais novo ainda de colo, e ficou completamente só com as crianças numa casa que ficava na mesma rua que a nossa, apenas umas casas abaixo e do outro lado. Do PIDE ninguém teve pena lá em casa. Havia de pagar o que fez aos outros, os primos da minha mãe eram repetidas vezes presos pela PIDE bem como o padre amigo da família, sabia-se lá em casa muito bem quem eram e ao que iam, mas a pobre mulher, professora de Francês com duas crianças pequenas, era digna de compaixão e assim dormiu a primeira de algumas noites no sofá-cama da sala com a criançada.Além da mulher do PIDE havia também a mulher do capitão que por não ser de confiança tinha ficado de fora de todas as movimentações dos capitães e no dia exacto, enquanto todos se deslocavam para Lisboa, ele dormia o sono dos justos. A mulher do capitão não sabia de nada naquele 25 de Abril. Foi portanto com enorme surpresa e risco de apoplexia que a minha mãe sob o olhar vigilante de Américo Tomás e Marcelo Caetano pendurados a cinzento numa sala do liceu, a informou de que algo estava a acontecer. A mulher do capitão não dormiu lá em casa, mas faz parte das personagens que vivem no meu vinte e cinco de Abril, onde a protagonista continua a ser a minha mãe, uma vez que foi através dela que a revolução chegou até mim.
Naquele dia de manhã, acho que estava um dia cinzento, a minha mãe tentava sintonizar em vão uma estação de rádio que transmitisse a música habitual mas em vez disso encontrava música clássica. Terá sido num desses momentos que ouviu o comunicado das Forças Armadas e que não mais se conteve de alegria. Fomos acordados com a sua euforia pueril, a chama da espera que se acendia, o tempo de todas as utopias, de repente, tão presente nas nossas vidas, e que permaneceu durante muito tempo. E depois vieram mais pessoas, pessoas tão díspares: os amigos do Ultramar com as inevitáveis incertezas e ressentimento contra algo que lhes tirara tudo o que haviam construído ao longo de décadas em Angola, o exotismo da fala e das roupas, tudo tão novo, tão rápido, o amigo desertor que encontrara abrigo em casa dos meus pais durante a recruta e que se desfardava no mais ínfimo espaço de tempo para se libertar da grilheta de uma guerra que ele antecipava mas para a qual a Bélgica surgiu como a fuga plausível, os amigos que nos acusavam de sermos progressistas e que reclamavam estranhamente que a politica estraga as amizades, o chefe de polícia temido e temível pela população estudantil e o padre do "reviralho" que se tornara nosso amigo inseparável, a amizade dura até hoje, e que se juntava ao grupo de amigos que coloria aquele tempo de mudança súbita.
E depois vieram palavras desconhecidas antes, uma explosão lexical de braço dado com as pessoas pela rua subitamente coloridas e livres, a música que ecoava a cada esquina, as tertúlias estimulantes lá por casa e a descoberta de um outro tempo, enquanto eu deixava abruptamente a minha infância. Muitas descobertas, portanto.
Momento sitemeter (21)
sábado, 25 de abril de 2009
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Momento de sorte
fotografia minha
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Metamorfose em curso
Sem paciência
terça-feira, 21 de abril de 2009
E terça-feira
Nada como dar uma saltadinha ao PNETMulher para se dissiparem as dúvidas.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
sábado, 18 de abril de 2009
Nada a declarar...
quinta-feira, 16 de abril de 2009
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Birras de mulher adulta
terça-feira, 14 de abril de 2009
A arte de parar
Na aldeia existe um código desconhecido a forasteiros e transeuntes de ocasião, um acordo não verbal, escrito em lado algum de que se tenha memória que dita de forma oculta as regras de conduta rodoviária. Desengane-se quem, em tempo de passeio ou de volta domingueira de arejamento da indumentária sagrada, ousar pensar que, entrando pelas ruas estreitas do vilarejo, está em posse dos conhecimentos basilares para circular em segurança. Na aldeia reina quem está na aldeia e quem está na aldeia reina como entende: os ritmos impostos pelo remanso dos vagares e algum sossego. Na aldeia, não impera a preguiça, impera a sua própria cadência e nesta cadência idiossincrática não cabem as normas e prescrições dos afobados condutores citadinos a espumar pelos escapes o fumo do stress da urbe sempre marcado pelo fortissimo vivacissimo das correrias destemperadas.Na aldeia, um sentido proibido é um sentido proibido, regra respeitada sem discussões ou transgressões conhecidas mas um estacionamento proibido nem sempre é estacionamento proibido. Há dias em que é proibido, outros em que as riscas amarelas servem apenas o propósito de quebrar a monotonia do asfalto acinzentado e outros ainda que são cabalmente ignorados, tão ignorados que se lhes estaciona por cima. Nos dias em que anda à roda a clientela da tabacaria espraia-se tabacaria afora, nesses dias o estacionamento proibido não é estacionamento proibido, a sorte pode ser uma urgência, nos dias em que há missa é maioritariamente ignorado e nos dias em que há velórios na igreja idem. Razões de monta evidentemente. Contudo, em dias de muita chuva ou muito sol os estacionamentos proibidos observam o mesmo lastro de permissividade. Se chove não há tempo para delongas e se está sol para quê ter tanta pressa.
Para viver na aldeia é preciso largar à porta os espartilhos da condução orientada pelo tempo limite de deslocação entre um ponto e outro. Atestei-o quando num dia passado me fiz à aldeia vinda da cidade, envolta num furioso incandescente de semáforos e passadeiras. Movida a frenesi urbano e ainda com o fumo dos escapes presente na pituitária, ousei entrar irrequieta na ruela estreita para desembocar na igreja. À minha frente um carro branco pausado e lento. Sem aviso prévio parou na faixa de rodagem e condutor e transeunte encetaram o que parecia ser uma conversa amistosa, o sol de fim de tarde convidava à cavaqueira inconsequente. Exasperei de impaciência, refilei de incompreensão e enraiveci de intolerância. Tudo isto sozinha no meu carro, enquanto a conversa continuava absolutamente alheia e indiferente ao meu desesperar colérico e, quando terminaram, fui ainda simpaticamente cumprimentada pelo condutor sorridente. Melhor do que qualquer livro de auto-ajuda a aldeia convida a um dos ensinamentos que tenho como válidos para os dias de correria desvairada: há que saber parar.
Crónica
domingo, 12 de abril de 2009
Anjos e demónios
Convivo numa base diária com um desses seres extraordinários que encontram uma explicação esotérica para todos os fenómenos que nos rodeiam, pessoal ou profissionalmente. Naquilo que uns vêem coisa nenhuma ou apenas uma grande acaso ou uma fortuita coincidência, este ser de luz e mezinhas encontra desígnios e caminhos de uma grande ordem esotérica que, felizmente, escapa à maioria – mal de mim se tivesse de aturar isto sempre. Admito que a espaços até lhe acho piada. Sei pelo olhar ou sorriso que foi encontrada uma explicação para o perfume que se pôs no ar, a corrente de ar que atravessou a sala ou para os energúmenos – e quantos – que se atravessam nas vidas comuns de gente comum, na minha inclusive. Sabendo de antemão a teoria, as dificuldades surgem para que cresçamos, evoluamos e percorramos esse calvário de vidas passadas, o karma que se nos agarrou à nascença e que só percorrido nos libertará, ou coisa que o valha, prevejo com relativa facilidade – será porventura o meu karma?- a resposta adequada.
E assim vou vivendo tranquila, sem lhe dar grande crédito, confesso, nem sempre tenho paciência para estes devaneios onde os insubordinados e mal-educados me foram postos no caminho para que eu evolua. Ficaria eternamente grata se fossem fazer progredir ou evoluir outros necessitados seres e me deixassem cá sossegada, de preferência, sem ter de me irritar frequentemente e chamar a atenção para tudo e mais alguma coisa. Se viram A Turma sabem exactamente do que falo.
Mas hoje – há sempre um mas e também um hoje- fiquei estupefacta ao ler este comentário e fui na senda da notícia. Aparentemente o Ministério que me tutela, ou o organismo competente para o efeito, acreditou uma acção de formação sobre crianças índigo, os tais seres que se me atravessam na vida profissional e que afinal não são insolentes e malcriados, são seres de outro mundo, de aura colorida que têm uma grande dificuldade em aceitar a autoridade. Esta será umas das acções de formação acreditada para efeitos de progressão na carreira – ainda não consegui entender de todo onde foram buscar o enquadramento legal para a dita- o que não deixa de ser uma coisa do outro mundo, uma vez que actualmente o professor só pode formar-se em áreas que sejam do interesse da sua escola. Seria pois de esperar que o Ministério da Educação tão interessado em promover o rigor e competência apostasse nos mesmos.
Estou ansiosa que tal chegue à minha escola. Deve haver um desígnio superior para tanto dislate, tal como me ensina diariamente a criatura de luz. Depois das acções de formação de TIC e de outras sobre a avaliação de professores, eis que surge este fenómeno. Agradeço que me avisem quando houver algo verdadeiramente importante e que forme profissionais mais competentes cientifica e pedagogicamente. É disso que precisamos. Tudo o resto é conversa fiada e muito triste.
Também no Delito de Opinião
sábado, 11 de abril de 2009
Cores da época
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Tradições e blasfémias
E, todos os anos, a época anunciava-se. No tempo dos dois canais de televisão, Internet inexistente não havia como fugir do peso que se nos instalava na alma sempre que, findo há um tempo o Carnaval, a Páscoa se anunciava deprimente. Música soturna e filmes que se repetiam até à exaustão, a vida de Cristo, a vida e a paixão de Cristo, a vida, a paixão e a ressurreição de Cristo. O Estado é laico, já o era então, mas os canais de televisão não se reconheciam como tal talvez e mesmo que o fizessem impunha-se a contenção da época, eventualmente o gosto e fervor dos espectadores por estas coisas da fé. Muito embora se apregoe que quando não se gosta de algo, pode sempre fechar-se os olhos, desligar a televisão, o rádio, ou virar-se as costas, tal nunca surgiu como opção nesses tempos remotos dos dois canais e de uma idade de pouca autonomia e diversidade à escolha.
O meu filme da Páscoa chegou uns anos mais tarde, não sei exactamente quando, nem interessa para a história, sei que veio para ficar e Páscoa que se quer Páscoa por estes lados é certamente celebrada com A Vida de Brian. Lado a lado com o pão-de-ló e o queijo da serra – há hábitos que não saem nunca – ouve-se Always look on the bright side of life. Pode até ser blasfemo, censurado pelos mais fervorosos cristãos com ou sem sentido de humor, porém, poucos filmes me divertem tanto como a Vida do pobre Brian. Tomado pelo Messias desde o dia em que nasceu, o mesmo do Messias e no estábulo imediatamente ao lado, Brian vai experimentando as agruras de viver com a aura do Salvador numa sátira hilariante do implacável e corrosivo humor inglês. Estar no sítio errado à hora errada nunca foi tão verdade, pobre Brian, contudo, há sempre que olhar para o lado mais sorridente da vida.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Pensamentos profundos
Nacos de prosa (9)
“And what does one do on Easter? Would anyone tell us?”
The Italian nanny was attempting to answer the teacher’s latest question when the Moroccan student interrupted, shouting, “Excuse me, but what’s an Easter?” It would seem that despite having grown up in a Muslim country, she would have heard it mentioned once or twice, but no. “I meant it,” she said. “I have no idea what you people are talking about.”
The teacher called upon the rest of us to explain. The Poles led the charge to the best of their ability. “It is,” said one, “a party for the little boy of God who call his self Jesus and… oh, shit.” She faltered and her fellow countryman came to her aid. The rest of the class jumped in, offering bits of information that would have given the pope an aneurysm.“He die one day and then he go above of my head to live with your father.” “He weared of himself the long hair and after he die, the first day he came back here for to say hello to the peoples.” “He nice the Jesus. “He make the good things, and on Easter we be sad because somebody makes him dead today.”
David Sedaris, (2000), Me talk pretty one day, Great Britain, Abacus.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Terça-feira

Ai os homens, os homens...
Ide lá espreitar, lá onde as mulheres são umas grandes conversadeiras.
No PNETMulher obviamente

























