Não é o Quarteirão dos Escritores mas podia ser. À minha frente e ainda na esplanada, contemplo o poeta Chiado. Ao meu lado, umas mesas abaixo, consigo ver Pessoa, também ele sentado à mesa n’A Brasileira, tomando um café que é tudo menos tranquilo. Duas mulheres abordam-no, pobre Pessoa, uma que timidamente se aproxima para que a outra lhe tire uma fotografia. Vão-se embora lestas, a cidade espera-as, acredito. Uma adolescente aproveita o hiato de paz e salta literalmente para o colo do escritor dos heterónimos. Duas fotografias envolvendo o pescoço do absolutamente indiferente Fernando António Nogueira Pessoa, nascido a 13 de Junho, data duplamente festejada no calendário alfacinha. Nunca em vida foi tão popular nem esteve tão acompanhado.
E continuando com os escritores: um pouco mais acima está “o poeta triste” no dizer de Eça. Camões que se ergue no Largo com o seu nome, com o olhar estático Rua Garrett abaixo, mais uma evidência da omnipresença dos escritores no Chiado, “o meridiano das artes e letras portuguesas”, Cardoso Pires dixit. Já na Rua do Alecrim, com a maresia do Tejo a perfumar “o manto diáfano da fantasia”, encontra-se Eça de Queiroz, nome incomparável das letras lusas e que terá cantado o Chiado como poucos. Camões, Pessoa, Chiado, Eça e Garrett misturam-se num ínfimo espaço físico, encontrando-se sempre além do que a superfície geográfica delimita. Não é o Quarteirão dos Escritores, mas podia ser.
(continua)








































