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sábado, 15 de setembro de 2012

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

E da noite se fez dia.

Enquanto assistia no Facebook ao 'coiso' que nos (des)governa, fui beijada pela declaração doce de uma aluna. Poupo-vos aos detalhes, não vão fugir daqui a correr, saltando entre posts e links, para não escorregarem na lamechice pungente, mas digo-vos que palavras assim alumiam o dia e aquecem o coração. Fazem valer a pena. Tudo. Não há mais nada que um professor possa desejar. Pronto. Já disse.

domingo, 9 de setembro de 2012

Isto não são excepções e não vai haver aumento de impostos e eu sou o Pai Natal

O (des)governo abre mão de milhões de euros em excepções que simpaticamente epitetou de 'adaptações' e outros sinónimos agradáveis. Honra lhes seja feita que são muito criativos a dourar a realidade: Relvas licenciou-se como se viu mas não é bem assim. É tudo legal e transparente e a léguas de distância de José Sócrates que pelo menos não teve equivalências por rancho folclórico nenhum. Menos mal para ele. Na sexta-feira brindaram-nos com o mais abjecto aumento de impostos, apelidaram-no, contudo, de qualquer outra coisa como se fôssemos incapazes de fazer contas e pensar. Nada é o que parece. Nem mesmo o (des)governo. É bem pior do que parecia.

A corja que nos governa

Umas horas depois de nos ter comunicado ao País o corte nos salários.
É a isto que estamos entregues.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Crónica de uma desgraça anunciada


A alma recostada na arte de nada fazer. Acordar de manhã e vestir uma roupa confortável e inconsequente, havaianas nos pés e a esperança de dias longos de sol sem preocupações Estatelar os pés na relva e conversar sobre coisa nenhuma com as gatas que se vão enrolando, entrando e saindo de casa sem restrições como se também a elas fosse permitida uma quebra na rotina. Telemóvel mudo e quedo. E depois sair daqui de passaporte no bolso ou cartão de cidadão ou bilhete de identidade, algo que me permita galgar fronteiras para deixar para trás um país decadente de governantes execrandos. Estava eu nesta vida de nada fazer quando fui chamada pelas minhas obrigações de fada do lar. Rumo ao supermercado, era um Sábado de manhã talvez, passeio rápida pelos corredores de lista na mão para não me perder e me encontrar em coisas que não preciso, e quando estava lá no corredor dos queijos, quase depois de me ter encontrado num delicioso queijo Feta, vi-a do outro lado, na encruzilhada entre as margarinas e os gelados. Trazia a mesma roupa que usa nos dia-a-dia que vamos partilhando, preocupante só de si, e que me fez soar os alarmes e regressar por instantes à vida profissional. O coração a bater mais forte, tomado de aflições para me recompor e mandar às urtigas isso que se chama de vida profissional. Abeiro-me da criatura acompanhada das crias, lanço-lhe um cumprimento sincero de sorriso largo bronzeado e do outro lado sou recebida com um esgar de espanto, um misto de qualquer coisa entre a surpresa e o horror. Digo-lhe Olá! Responde-me de mão no peito Ai credo! Gosto muito de te ver mas só de pensar no que aí vem… Rosto contristado como se fosse mensageira da desgraça, euzinha vinda de cobiçar um queijo Feta, acabada de sair da secção de legumes tão saudáveis. Esperei pela capitulação, um olá, uma qualquer expressão que me permitisse ver que a criatura estava a brincar. Não estava. Resmunguei qualquer coisa e dei corda às havaianas, sim, vou de havaianas ao supermercado, desaparecendo entre as bolachas e as tostas.
E parece que amanhã é esse tal dia primeiro do ‘que vem aí…’, um daqueles anos que ninguém deseja. Depois desta recepção estou pronta para tudo. Let the games begin.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Matemática ou a falta dela

"Ministério promete quadro a 8000 professores" hoje na capa do Diário de Notícias. Por outro lado e "de acordo com o ministério, o número de professores efectivos que integram o concurso de mobilidade interna, no ano lectivo de 2012/2013, é de 5733",  diz-se no Público.
Se bem entendi, existem neste momento mais de cinco mil professores do quadro sem lugar, e já nem falo dos contratados, e o Ministério da Educação, que engendrou legislação, mexeu airosamente na estrutura curricular com pompa e circunstância, aumentou o número de alunos por turma e os horários dos professores e remeteu esses quase cinco mil para a antecâmara do desemprego, quer que oito mil passem a integrar os quadros. Tudo isto numa altura em que Vítor Gaspar se prepara para cortar na Educação. Gostava de saber quem andam a tentar enganar. Já que o Crato é das Ciências Exactas, exactas e precisas na forma como desbaratinando a Educação neste país, podia pelo menos apresentar algo minimamente credível  ou será pedir muito?

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Agosto

Agosto. Agosto e Janeiro. Janeiro porque é frio, cinzento, um mês de espera longa de dias breves e céu opaco que repousa como um manto cinzento, pesado. E o frio. E o nada acontecer. Uma sequência de minutos, horas, dias, semanas a fio sem que nada se faça se não esperar a alvorada e o dealbar de um tempo de esperança. Agosto porque foi sempre mês de demoras longas e ausências dilatadas. Que chegasses. Que tivesses tempo, vontade para aproveitar a vida que se passeava a teu lado sem que reparasses, ensombrado por afazeres imperiosos que me colocavam em espera, a nós em suspenso. Janeiro virá, Janeiro de esperas longas. Espreito o fim de tarde e vejo a tarja de mar que me acompanha sempre que me abeiro da cozinha, a tarja de mar cinzento, azul, prateada ao pôr-do-sol, mutante ao longo do ano e vou agradecendo a graça deste Agosto contigo. Prazeres pequenos inconfessáveis, coisas só nossas, cumplicidades que não permitem palavras. Chamas-me de lá de fora enquanto juntos respiramos a tarde que se abandona lentamente nos braços da noite. Chamas-me para ver o luar de Agosto que se adivinha Vem ver a lua! e eu vou e sei que hei-de ter saudades deste Agosto.

Receita aqui.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Vida de professor

Sala de directores de turma. Final de tarde. Esventro o dossier que ajudei a engordar ao longo do ano e folha a folha vou estirpando a pasta obesa de papéis incómodos, vãos agora, horas e horas perdidas ao longo do ano. Vejo-a chegar na penumbra. O estio espreita pelas frestas das janelas em réstias de luz ténues de fim de tarde.  Cumprimentamo-nos. Pergunto-lhe E novidades? Não há, responde-me, não sei onde fico. Recolhemo-nos na arrumação da papelada com perguntas pelo meio E isto? Deito fora ou é para o arquivo?  Isso aí é o dossier das actas? Resmungo como sempre contra burocracia e trabalho que não dá frutos. Resmungo muito. Resmungo sempre. Rasgo papéis com vigor, ausento-me na senda de um dossier perdido. Regresso. Ela está ao telefone. Empato por uns minutos a minha saída na esperança de que acabe o telefonema e me possa também despedir. Aproximo-me da secretária onde a ouço despedir-se longamente. A conversa vai longa sem prenúncio de um final. Chego perto, toco-lhe no braço e aceno com a mão. Interrompe o telefonema e pede um instante Espera só um bocadinho. Está aqui a Leonor para se despedir. Abraçamo-nos. Dou-lhe um beijo e digo, quando lhe ouço os primeiros soluços, Vá, não fiques assim! Engulo o primeiro soluço, engulo as lágrimas teimosas e digo-lhe Tenho esperança. Nada está perdido! Toco-lhe na mão, um consolo inútil. Digo-lhe ainda Não fiques assim. Lanço-lhe um sorriso desajeitado. 
E saio. 

sábado, 21 de julho de 2012

quinta-feira, 19 de julho de 2012

...

Em luto. Em luto pela Educação deste país. Em luto por todos nós que temos de aturar energúmenos ao leme deste país. Em luto pela nossa apatia. Em luto por o nosso fado. Em luto.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Mandela Day

“Education is the most powerful weapon which you can use to change the world.” 
Nelson Mandela

Parabéns, Madiba, pelas 94 risonhas primaveras!

domingo, 15 de julho de 2012

Divagações de Domingo que adormece

Este foi um fim-de-semana profícuo em notícias que tocaram gente bem perto de mim e que por desvarios absurdos do Ministério da Educação se encontram neste momento de casa às costas depois de vinte ou mais anos de serviço. Se os professores não fossem necessários nada a fazer. O problema é que não se devem pedir estimativas quando os processos não estão terminados e com matrículas a decorrer. E coagir os Directores a assinar declarações também não me parece muito ético nem sequer decente numa sociedade que se diz democrática. A questão de fundo prende-se, contudo, com todos nós, professores, pais e alunos que verão as suas opções cortadas e não conseguirão encontrar um lugar, arriscaria a dizer aos milhares, apenas pelo mais mesquinho economicismo. Esta situação é ainda mais estranha se repararmos que acontece no mesmo ano em que a escolaridade obrigatória se estendeu até ao 12º ano. Fechando turmas de dia e de noite fica por saber onde irão estudar os alunos e os adultos que tencionem dar seguimento sério aos seus estudos, sem equivalências da farinha amparo, deus a tenha em descanso.
E já que cortam a eito e olhando, por estes dias, as clareiras de deputados nas bancadas, pergunto-me para quando a redução destes na Assembleia da República. Se não estão lá é porque não fazem falta e, como tal, podemos dispensar alguns deles, poupar nas ajudas de custo, na água engarrafada e nos menus opíparos. Se, por outro lado, a ordem é para reduzir pessoal em todo o lado então que o façamos por igual ou existem intocáveis neste país?


terça-feira, 3 de julho de 2012

Esplendor no Relvas

Passos Coelho tem-se debatido vigorosamente contra as Novas Oportunidades, menina dos olhos do governo Sócrates. Um dos mais controversos pontos diz respeito ao processo de RVCC, Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências. Neste processo, diabolizado, odiado, epitetado pelo Primeiro-Ministro como 'certificação de incompetências',  é esperado, grosso modo, que o candidato evidencie que já possui algumas competências adquiridas por vias não formais de educação. Este processo servia apenas certificação de nível básico e Secundário mas hoje descobriu-se que, afinal, há neste país universidades que fazem exactamente o mesmo.
Ao que parece e pelo que aqui se diz Miguel Relvas inscreveu-se em 2006 na Universidade Lusófona e concluiu o curso de Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade em 2007, nos termos do Processo de Bolonha através de seis semestres. Diz-se ainda que o curso foi  “encurtado por equivalências reconhecidas e homologadas pelo Conselho Científico” da Lusófona “em virtude da análise curricular a que precedeu previamente”. O que é isto se não um processo de reconhecimento, validação e certificação de competências ou de 'incompetências' se dermos ouvidos a Passos Coelho? Aguardar-se-á o encerramento da Universidade Lusófona até 31 de Agosto à semelhança do que está a acontecer aos Centros de Novas Oportunidades?


Também no Delito de Opinião.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

E em Julho nada de novo.

Acho fantástico que alguém ainda defenda que um enfermeiro ganhe 4 euros à hora e menos que uma empregada de limpeza. Comparar-se-á a responsabilidade e a formação necessária? Nada contra as empregadas de limpeza: NADA. Respeito todas as profissões por igual. De repente somos todos comunistas e não sabíamos: tudo a ganhar o mesmo salário. Só gostava de saber quanto ganha essa gente, se também ganham 4 euros à hora.