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quinta-feira, 19 de julho de 2012
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Em luto. Em luto pela Educação deste país. Em luto por todos nós que temos de aturar energúmenos ao leme deste país. Em luto pela nossa apatia. Em luto por o nosso fado. Em luto.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Mandela Day
“Education is the most powerful weapon which you can use to change the world.”
Nelson Mandela
Parabéns, Madiba, pelas 94 risonhas primaveras!
Nelson Mandela
Parabéns, Madiba, pelas 94 risonhas primaveras!
domingo, 15 de julho de 2012
Divagações de Domingo que adormece
Este foi um fim-de-semana profícuo em notícias que tocaram gente bem perto de mim e que por desvarios absurdos do Ministério da Educação se encontram neste momento de casa às costas depois de vinte ou mais anos de serviço. Se os professores não fossem necessários nada a fazer. O problema é que não se devem pedir estimativas quando os processos não estão terminados e com matrículas a decorrer. E coagir os Directores a assinar declarações também não me parece muito ético nem sequer decente numa sociedade que se diz democrática. A questão de fundo prende-se, contudo, com todos nós, professores, pais e alunos que verão as suas opções cortadas e não conseguirão encontrar um lugar, arriscaria a dizer aos milhares, apenas pelo mais mesquinho economicismo. Esta situação é ainda mais estranha se repararmos que acontece no mesmo ano em que a escolaridade obrigatória se estendeu até ao 12º ano. Fechando turmas de dia e de noite fica por saber onde irão estudar os alunos e os adultos que tencionem dar seguimento sério aos seus estudos, sem equivalências da farinha amparo, deus a tenha em descanso.
E já que cortam a eito e olhando, por estes dias, as clareiras de deputados nas bancadas, pergunto-me para quando a redução destes na Assembleia da República. Se não estão lá é porque não fazem falta e, como tal, podemos dispensar alguns deles, poupar nas ajudas de custo, na água engarrafada e nos menus opíparos. Se, por outro lado, a ordem é para reduzir pessoal em todo o lado então que o façamos por igual ou existem intocáveis neste país?
Também no Delito de Opinião.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
terça-feira, 3 de julho de 2012
Esplendor no Relvas
Passos Coelho tem-se debatido vigorosamente contra as Novas Oportunidades, menina dos olhos do governo Sócrates. Um dos mais controversos pontos diz respeito ao processo de RVCC, Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências. Neste processo, diabolizado, odiado, epitetado pelo Primeiro-Ministro como 'certificação de incompetências', é esperado, grosso modo, que o candidato evidencie que já possui algumas competências adquiridas por vias não formais de educação. Este processo servia apenas certificação de nível básico e Secundário mas hoje descobriu-se que, afinal, há neste país universidades que fazem exactamente o mesmo.
Ao que parece e pelo que aqui se diz Miguel Relvas inscreveu-se em 2006 na Universidade Lusófona e concluiu o curso de Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade em 2007, nos termos do Processo de Bolonha através de seis semestres. Diz-se ainda que o curso foi “encurtado por equivalências reconhecidas e homologadas pelo Conselho Científico” da Lusófona “em virtude da análise curricular a que precedeu previamente”. O que é isto se não um processo de reconhecimento, validação e certificação de competências ou de 'incompetências' se dermos ouvidos a Passos Coelho? Aguardar-se-á o encerramento da Universidade Lusófona até 31 de Agosto à semelhança do que está a acontecer aos Centros de Novas Oportunidades?
Também no Delito de Opinião.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
E em Julho nada de novo.
Acho fantástico que alguém ainda defenda que um enfermeiro ganhe 4 euros à hora e menos que uma empregada de limpeza. Comparar-se-á a responsabilidade e a formação necessária? Nada contra as empregadas de limpeza: NADA. Respeito todas as profissões por igual. De repente somos todos comunistas e não sabíamos: tudo a ganhar o mesmo salário. Só gostava de saber quanto ganha essa gente, se também ganham 4 euros à hora.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Os exames nacionais ou uma questão de fôlego
Eram 9.00 horas, deu o toque final e centenas de alunos entraram para mais uma aventura no maravilhoso mundo dos exames nacionais. Estranho é como Isabel Alçada ainda não se inspirou nesta verdadeira epopeia a que nos sujeitam a todos com ares de distribuir competência e rigor.
Seriam umas 9.15 quando me trouxeram a prova de Alemão. Folheio-a, deito-lhe um olho, perscruto-a de várias perspectivas e começo a resolvê-la. Além do grau de dificuldade mais elevado que nos dois anos anteriores, e acrescento desde já que não viria daqui mal ao mundo, este ano tínhamos mais uma novidade: só um verdadeiro Zatopek conseguiria fazer todas as tarefas obrigatórias com calma e tempo para reflectir, um maratonista cheio de fôlego, um Schuhmacher a lutar pela pole position. Zatopeks não temos, Schumachers idem e até o Carlos Lopes já pendurou as sapatilhas há muito tempo, mas Usain Bolt teria dado jeito hoje. Podemos preparar muito bem os alunos, podem até ser todos excelentes, aplicados, empenhados, interessados mas não os podemos preparar para estas ‘idiossincrasias’ do Gabinete de Avaliação Educacional, GAVE para os íntimos. Se é a isto que chamam rigor devem estar equivocados. Aquilo era uma prova de maratona. Só os que têm fôlego se salvarão, não necessariamente os que sabem.
E serve tudo isto para dizer que não, os exames nacionais não são fiáveis, não têm coerência alguma de ano para ano, uns anos são assim, outros assado e outros nem por isso, apesar de serem exactamente os mesmos programas. Servem propósitos vários mas não aquilo para que alegadamente foram instituídos. Dizia Nuno Crato que o Ministério da Educação devia ser implodido, isto antes de se tornar eminente Ministro da Educação, porque agora, fazendo parte do sistema, faz o que outros antes fizeram: muito pouco de jeito. É pena. É preciso ter fôlego.
Também no Delito de Opinião.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Quem dá mais?
Figo foi visto ao lado do Relvas no jogo de Portugal em Varsóvia. A base de licitação são 150 mil por pequeno-almoço.
Momentos de instantâneo chauvinismo
Acontece que, além de tpm e de outras maleitas e infelicidades bem femininas, não sou rapariga de fazer muitos disparates alegadamente atribuídos às mulheres. Tenho bom sentido de orientação, não conduzo mal, faço piscas e tudo, choramingo pouco, mas, há sempre um mas, ontem lembrei-me de ligar o carregador do computador ao contrário. Dizem-me e mostram-me até que a coisa tinha indicação de como devia ser conectada. E tinha. Não vi. E o computador esticou o pernil. Há que fazer coisas de mulher de vez em quando. Foi ontem o dia.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Véspera
A idade é um estado que se nos instala após o corpo começar a decair. Não logo. Não são as primeiras rugas. Não são os primeiros vincos na testa ou as expressões marcadas de risos e desrisos. Como uma árvore tombada com o peso dos ramos assim somos nós, tombados pelo peso de tudo o que está para trás. E como uma árvore trazemos inscritas na alma as afirmações de isso que fomos, declarações de intenções carcomidas reduzidas a rabiscos indeléveis. E como uma árvore temos buracos ocos impreenchíveis de ausências. E sei quando. Sei quando se me descaíram levemente as pálpebras, sei quando me começou a falhar a ortografia, perfeita outrora, sei quando me chegaram as olheiras. E sei quando percebi que o corpo se me descaía sem piedade. E dei-me tempo. O tempo de perceber que agora outro tempo começara e uma vez entendido o caminho de Cronos assumi esta condição de envelhecer como a coroa de tempos vividos. Não são as rugas.
domingo, 10 de junho de 2012
Declaração a quem possa interessar
Depois do jogo de ontem e ainda antes fartei-me de ler e ouvir comentários sobre os apelidos dos alemães não soarem nada 'arianos' e digo 'arianos' e não germânicos, porque esta gente parou no Holocausto. É a única coisa que conhecem da Alemanha e a única coisa que têm como certa e identificativa de um povo. O que se passou de então até agora é a repetição ad nauseam do epíteto de sempre Nazis! Não se aguenta.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Confissões em noite de lua cheia
São 23.54. Dou por encerrado o meu dia de hoje e aguardo com expectativa a semana que a amanhã começa. Encerro um ciclo de dois anos que passei com os meus alunos de Alemão. Eram vinte e oito e acabaram em vinte e quatro. Chegaram-me imberbes, tão imberbes como nunca tinham chegado antes ou talvez eu não estivesse tão velha como estou agora. E tenho medo. Não me dou ao luxo de me mostrar assim despedida, assim frágil porque para o ano ninguém mais me vai dar um abraço pela manhã, enquanto entra saltitante de cabelos longos e olhar terno, beijar-me a testa quando se vai embora com um Gosto muito de si, stora ou exigir a primazia no meu coração e afectos Nós é que somos as suas ovelhinhas e torcer por mim no espaço virtual quando me envolvo em lutas blogosféricas Bora, Stora! Hoje é lua cheia e dizem que há lobisomens e outros demónios à solta. Deve ser disso. Vou já deitar os meus. Aferroá-los na arca dos que não se confessam jamais.A semana vai ser longa e a lua esconder-se-á então.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
O orgulho em alta
O restauro dos seis órgãos da Basílica do Palácio Nacional de Mafra foi galardoado com o Prémio Europa Nostra 2012. Morro de orgulho pela minha terra. O mestre organeiro Dinarte Machado está de Parabéns!!!!
Mais do mesmo
Não valia a pena terem diabolizado o Sócrates, pedirem sacríficios ao povo, roubarem-nos em impostos, taxas, subsídios, sobretaxas, portagens e tudo o que respire e viva e virem com aquele ar de honestidade de plástico doutrinarem-nos sobre a crise e a Troika, blá, blá, blá. Que se calem. E se possível se vão embora. Não vejo o dia.
Também no Delito de Opinião
terça-feira, 29 de maio de 2012
Momentos de esfuziante optimismo
sábado, 26 de maio de 2012
sexta-feira, 25 de maio de 2012
A minha vida mata-me
Pois. Vinha aqui respeitosamente anunciar que a minha vida profissional me tem impedido de vir aqui debitar uns disparates e que quando a vida profissional nos tira a capacidade de dizer uns disparates é porque batemos no fundo, dali para a frente só há dragões, cruzes credo. O que vale é que assim que senti o fundo lodoso, impulsionei-me e com as pontas dos dedos pés para fugir da viscosidade dos fundos fluviais povoados por monstros vários e lá vim eu de nariz à tona primeiro para sentir o perfume da clorofila dos arbustos nas margens, e eis-me de novo à superfície, pronta para mais uma ronda de disparates. Agora neste preciso momento em que vos escrevo apetece-me uma fatia de bolo de chocolate e mandar bardamerda a acção de formação do GAVE, onde trauteei para a plataforma moodle 'A formiga no carreiro vinha em sentido contrário...' Ninguém me ouviu pois claro. Parece que a indignação tinha baixado sobre mim e se me escapava pelas pontas dos dedos direitinha para o teclado. Eu disse que já estava pronta para mais uma ronda de disparates. E já que não os posso mandar bardamerda o melhor é afogar as mágoas com o bolo de chocolate, mas como estou de dieta não posso, o melhor é...
domingo, 20 de maio de 2012
Considerações femininas sobre o fabuloso mundo do futebol
Noventa minutos, uma bola, onze
jogadores para cada lado abraçados por uma multidão em júbilo, uma massa exultante
que se vai dividindo e esmorecendo, enquanto o tempo decorre e na proporção dos
golos metidos nas respectivas balizas. Um balneário vedado aos demais e onde,
ao que parece, acontece muito mais do que uma troca de roupa e massagens nos
gémeos. E é isto. O futebol para mim é isto. Há contudo variáveis a incluir: se
os jogadores são giros e morenos, pode abrir-se uma excepção para alguns
louros, ostentam um belo par de pernas e um torso de fazer ruborizar a mais benta das mulheres. A propósito acho um nojo que a UEFA ou a FIFA ou lá quem
foi, tenha instituído essa tal regra de marcar falta ou mostrar cartão amarelo
aos rapazes que em explosão de felicidade arremessam à maneira masculina as
camisolas transpiradas e ostentam os torsos bem definidos. É que, a menos que
compremos uma dessas revistas que se ocupa da vida alheia, o povo em
austeridade perdeu a oportunidade de ver os abdominais trabalhados do nosso
Cristiano Ronaldo e do nosso Nani. Isso sim, é, grosso modo, futebol. O mesmo é
válido para os treinadores. Alguns, evidentemente. Outros não só podem como
devem manter as camisolas, camisas e blazers, e preservar-se e preservar-nos de
visões dantescas. O resto é como digo: um campo, onze robustos e atléticos
jovens homens transbordando testosterona para cada lado, duas balizas, uns
quantos que supervisionam os excessos dos miúdos, outro que gesticula do banco
e pronto. Como em outras situações, parece que estou errada.
Devia tê-lo percebido
naquele dia em que um amigo holandês me mostrou ufano um livro sobre a vitória dos
holandeses sobre os alemães. Recuava aos anos oitenta e o livro estava recheado
de imagens de homens cabeludos vestidos de laranja e outros igualmente cabeludos
e de bigode mas vestidos de branco. Dizia ele que os holandeses toleravam tudo,
menos os alemães. Bela tolerância. Fiquei impressionada. Devia tê-lo entendido
naquele dia em que sentada na esplanada da Mexicana, um colega benfiquista
recusou a água com gás que o empregado lhe trouxera. Diz que era do Sousa
Cintra e num outro dia em que, ao passarmos pela montra de uma loja de
electrodomésticos, esse mesmo afirmou que não comprava nada marca Phillips. O
PSV tinha derrotado o Benfica e isso não se faz.
Acontece que ontem o Chelsea derrotou
o Bayern de Munique. Diz que era um jogo importante. Para mim apenas um jogo de
futebol. Visto por um outro prisma, um jogo de futebol de duas equipas
provenientes de duas cidades que estão nas minhas preferências: Londres em
grande destaque e Munique com carinho. O meu mundo por uma Brezel e um Weissbier na Augustiner. Mas não. A derrota dos alemães foi a oportunidade
perfeita para aguçar o ressentimento contra os alemães. Como toda a gente sabe,
o povo não deve ser confundido com os seus governantes. Cruzes credo se me
confundem com o Passos Coelho ou com o homem do ‘coiso’. Angela Merkel não é a
Alemanha nem os alemães. Nada disso interessa. Ontem quem perdeu foi a Merkel e a supremacia alemã. A derrota de Merkel ontem no
Arena de Munique fez o povo acreditar que ainda há esperança de correr com os
alemães. Pouco importa se era o Bayern, o Mönchengladbach, ou o Hertha de
Berlim. Podia até ser o FC Badenia St. Ilgen. Nunca a Schadenfreude foi ironicamente tão bem ilustrada. E eu a pensar
que o futebol eram onze caramelos e uma bola.
Também no Delito de Opinião
sábado, 19 de maio de 2012
Fruta da época e uma mousse de morangos
Gosto de me ver como uma não nostálgica com a mania de que o passado deve ficar arrumado lá onde acomodamos com carinho o que já nos serviu, o que fez de nós quem somos mas que deve repousar no berço das coisas adormecidas, embalado por memórias felizes de tempos que não voltam. Gosto de olhar para mim como alguém que olha para a frente, mais para a frente e muito pouco para trás. Acontece que entre o que achamos que somos e o que somos na realidade existe um hiato. Dias há em que pensamos que o conseguimos resolver e outros em que o sentimos como um rio intransponível e a outra margem, a margem que achamos que somos, incapaz de ser alcançada. Acontece muito.
Fui chamada ao passado pelos morangos quando um destes dias me cruzei com eles nos meus afazares domésticos. Carnudos, vermelhos e aromáticos são um festim para esta que come com os olhos e tem faro de perdigueira, uma falta a que não sei fugir, e fiquei incrivelmente nostálgica dos tempos em que havia fruta da época anunciada nos menus dos restaurantes, porque na verdade a única fruta disponível era a da época.
Nesses tempos, a fruta da época abria sempre um novo ciclo e a espera por esses momentos era feita com labor e ansiedade, a felicidade suprema quando os primeiros frutos surgiam nas bancas da praça, sem formatações nem brilhos adicionados, com os defeitos com a que a natureza os tinha parido. Laranjas e maçãs eram sempre fruta de Inverno, de recolhimento, aquecedores e humidade, e manhãs de nevoeiro gótico por aqui onde o sol se enchia de caprichos de fêmea e fazia aparições esporádicas de diva dominadora. Uvas eram fruta de Outono, o indício de que um tempo acabara. O tempo das tardes e noites longas, de roupas leves e corpos soltos. Um ciclo de inconsequências e felicidades efémeras, a transitoriedade do que se quer eterno chegara ao fim. Antes das uvas e das laranjas e maçãs, havia morangos e depois dos morangos, os pêssegos e as ameixas coroadas com o zénite do Verão. Os morangos marcavam o início do tempo quente, como eu gosto, a alvorada do sonho e a promessa de levezas várias, despreocupações múltiplas de corpos ao sol, tisnados de salgadiço, perfumados de maresia e beijados longamente pelo sol em tardes sem fim no areal imenso que me viu crescer. Que saudades do tempo dos morangos. Desse tempo de morangos. Do meu tempo de morangos.
Nesses tempos, a fruta da época abria sempre um novo ciclo e a espera por esses momentos era feita com labor e ansiedade, a felicidade suprema quando os primeiros frutos surgiam nas bancas da praça, sem formatações nem brilhos adicionados, com os defeitos com a que a natureza os tinha parido. Laranjas e maçãs eram sempre fruta de Inverno, de recolhimento, aquecedores e humidade, e manhãs de nevoeiro gótico por aqui onde o sol se enchia de caprichos de fêmea e fazia aparições esporádicas de diva dominadora. Uvas eram fruta de Outono, o indício de que um tempo acabara. O tempo das tardes e noites longas, de roupas leves e corpos soltos. Um ciclo de inconsequências e felicidades efémeras, a transitoriedade do que se quer eterno chegara ao fim. Antes das uvas e das laranjas e maçãs, havia morangos e depois dos morangos, os pêssegos e as ameixas coroadas com o zénite do Verão. Os morangos marcavam o início do tempo quente, como eu gosto, a alvorada do sonho e a promessa de levezas várias, despreocupações múltiplas de corpos ao sol, tisnados de salgadiço, perfumados de maresia e beijados longamente pelo sol em tardes sem fim no areal imenso que me viu crescer. Que saudades do tempo dos morangos. Desse tempo de morangos. Do meu tempo de morangos.
Receita aqui.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Vida de merda
O meu dia de quarta-feira começou às 8.30. Dei as aulas do costume, cheguei a casa e agarrei-me ao computador para preparar aulas, tive uma reunião na escola das sete às onze da noite e jantei às onze e meia uma bucha mal amanhada. Hoje, que foi ontem, levantei-me pela fresca, foi feriado aqui, e vá de parir os testes que os meu alunos vão fazer na segunda-feira. O dia inteiro. Pelo caminho a p%$a da formação a que o Ministério me obriga em e-learning, coisa à distância que é mais barato, exactamente agora na altura mais crítica de todo o ano. Ele é textos para ler e comentar, participação em fóruns a debitar banalidades sobre um tema que neste momento não me interessa. Lamento, GAVE e Ministério da Educação e o raio que vos parta a todos, mas não me interessa fazer uma acção de formação sobre avaliação formativa quando vou ser classificadora de exames. Nada a ver. E estou-me nas tintas para os créditos para progredir na carreira, porque estou no mesmo sítio desde 2004 e aqui vou apodrecer, por este andar, velha e amarga, exactamente ao contrário do que gostaria. Venho de lá agora, desta tal plataforma on-line, e, olhem, além das 400 palavras que vou ter de parir ainda tenho de ir lar largar umas larachas educativas, hoje e segunda-feira. Se isto não é uma vida de merda é uma merda de vida. O raio que os parta a todos.
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