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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

2013

Que nos acompanhe sempre a resiliência para a travessia que hoje começa.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Sem resposta

Às vezes pergunto-me o que fazer aos quarenta e sete anos, com vinte e cinco anos de ensino, sem qualquer possibilidade de mudar de profissão, pouca de mudar de país e quase nenhuma além de aguentar a um canto tanta humilhação do país a quem dei duas décadas de trabalho dedicado.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Countdown

Vinte e três e cinquenta e seis. A lareira crepita. As gatas dormem. Reina a paz nesta casa. Planifico mentalmente a semana que entrará dentro em pouco e penso que me faltarão umas três semanas para acabar o primeiro período. E não era isto que eu queria que a profissão que um abracei se tivesse tornado: um fardo, um incómodo e o desejo que acabe depressa. Faltam três semanas para entrar por aquela porta, abandonar os livros e respirar bem fundo, livre e liberta de algo que me atormenta.

sábado, 17 de novembro de 2012

A vida num prato


Não gosto de gente branda. Não gosto de sabores insossos. Não gosto de apertos de mão moles. Não gosto de sorrisos amarelos ou de desviar de conversas. Não gosto de gente que se escusa a tomadas de posição, que não consegue dizer uma coisa desabrida se for necessário ou que vive existências beatíficas de ausência de palavras. E não gosto de conversa chocha. E de gente manipuladora. É que a manipulação é a arte de dissimular, contornar, dominar o outro até que ele ceda aos nossos intentos sem que o tenhamos afirmado assertivamente. Acontece que esta forma de vida já foi mais turbulenta do que é agora, afinal a idade madura, chamemos-lhe assim, não é só sentir o corpo a ceder implacável à força da gravidade e trouxe-me alguma sensatez com a qual não me tenho dado mal. Esta verborreia serve para dizer que também na comida gosto de sabores fortes, daqueles que nos fazem sentir, beber um vinho intenso ou proclamar as qualidades orgásticas daquilo que ingerimos e gargalhar a seguir com os comensais à nossa frente. Acontece também que por isto que acabei de dizer não gosto de gente que torce o nariz à comida e se resume a uma garfada de nariz torcido, proclamando que estão cheios, como fêmeas em véspera de parir. Terão noção da vida que passa a seu lado? E pronto, agora que já desabafei, aqui  fica uma receita que é uma extensão da intensidade com que a vida deve ser vivida. Ou como eu acho que deve ser vivida.

domingo, 11 de novembro de 2012

Quietos e calados até terça-feira, dia 13*

Depois desta triste figura aqui descrita e que graças aos deuses não foi autorizada na Alemanha como os autores queriam, eis que surge este que descobri no 2 dedos de conversa da Helena. Em verdade nos digo que estou ansiosa que a Merkel se vá. Nunca se sabe com o que nos brindará a imaginação tuga.


* protestar podem.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Consultório Jonet

Querida Isabelinha, estou a pensar fazer bifes para o almoço mas não sei se não estarei a viver acima das possibilidades. Deverei fazer antes umas bifanas fora do prazo ou será preferível contentar-me com os couratos do suíno? Grata pela atenção.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Pão por um deus desconhecido

Nove e vinte e cinco. Os cães ladram inquietos. Eles vêm aí. Sei que são eles. Espreito pela janela do quarto e vejo-os. Desço as escadas a tempo de lhes abrir a porta. Dizem ao que vêm sorridentes para soltar um lamento de seguida ‘Está tudo na missa. Ninguém nos abre a porta’. E o outro ‘e ele tem de se ir embora às dez’. Sempre achei que a religião é como o amor ainda em que numa proporção diferente, em demasia matar-nos-á e agradeço aos meus deuses por me terem arredado de sacristias e outros lugares estranhos de santos em esgares e sofrimentos, não nos bastasse já a vida. As crianças terão doces. Abrem-me os sacos de pano e para lá vou despejando com a supervisão dos dois a mesma, a mesmíssima quantidade de guloseimas: chupas, rebuçados, moedas de chocolate. Foram as primeiras das últimas crianças que vieram a minha casa pedir Pão-por-Deus. Acabou este ano com uma garota sorridente de sobrancelhas ralas que me inquiriu à saída ‘Posso fazer uma pergunta?’ Claro!’ ‘Esta árvore que tem aqui chama-se como?’ ‘Azevinho.’ ‘É isso’ diz-me. E a conversa corre solta sobre o azevinho e as bolinhas vermelhas numa manhã de sol brilhante indiferente ao país que anoitece. Quando voltei para dentro e a minha porta fechou-se pela derradeira vez. Dentro dela anoiteci. Estranho país o que mata as tradições. Estranho país o que nos matará a todos.

Também no Delito de Opinião.

Das entranhas

Desta vez não é raiva, indignação, fúria. Desta vez é uma profunda desilusão. Com o país, com a minha vida transformada em vidinha de contar cêntimos com tantos cortes. A perspectiva de uma vida pequenina de estatelar o nariz nas montras e ver o mundo sem lhe poder tocar. E ter de me resignar. Dizem-me por aí que gastámos de mais.  Enchem-se bocas balofas de moralismos bafientos. Desta vez é vontade de parar. Baixar os braços. Esconder-me até que tudo isto passe ou pegar nas malas e sair de vez sem remorsos nem saudades. Bater a porta. Esquecer que alguma vez fui professora e partir definitivamente para outra. Não há nada que pague 'isto', tanto sacrifício, tanta humilhação. Nada.

sábado, 22 de setembro de 2012

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Palavras intraduzíveis

As palavras contam. Contam sempre e contam muito, mesmo que digamos que uma fotografia vale mais que mil palavras ou que o silêncio é de ouro. Nada contra e também é verdade, a vida nunca é a preto e branco e há sempre várias versões para a mesma história. E agora chega de frases feitas. Os portugueses ligam às palavras e gostam de alardear e apregoar que são detentores da única palavra que não tem tradução. Acontece que eu tenho muito orgulho da palavra ‘saudade’ mas não acho que seja a única sem equivalente noutras línguas. Consigo encontrar em inglês uma ou outra cuja tradução fica aquém do significado. Quem já pôs pé nas ilhas britânicas e na ilha esmeralda terá sido invadido por uma panóplia de sensações contraditórias. Primeiro, a certeza de que jamais seriam capazes de viver num lugar com a invernia a assombrar-lhe os dias, o nevoeiro e a bruma como companheiros presentes e diários, o frio a açoitar-lhes os corpos e o vento a sacudir-lhes os cabelos como quem varre furiosamente as folhas de outono. A segunda, e muito falada, é a ‘frieza’ dos povos ali acima de França. Diz que são pouco dados a contactos amistosos, metem-se em casa como se fossem tocas e não vão em comboiadas, a menos que sejam bem regadas e num ambiente de festança desvairada. O português é rapaz a quem faz falta a ladainha da desgraça e para quem a pergunta/cumprimento ‘tudo bem?’ terá como resposta certa o desfilar de misérias, joanetes, bicos de papagaio e maleitas diversas, um certo recolhimento na exibição das dores privadas é encarado como sinal de frieza. ‘Lá em cima’ não querem saber de joanetes e catarros. Ponto. E vinha isto a propósito do que não se traduz. Uma das sensações contraditórias naquelas ilhas plantadas no meio do mar fustigadas por vento e circundadas por mares alterados é contraposta por uma das minhas sensações e sentimentos preferidos consubstanciados em Inglês pela palavra ‘cozy’. Alguém porventura terá encontrado um equivalente justo àquela sensação de se entrar numa casa cuidada, aquecida e confortável onde tudo parece cuidadosamente colocado e delicado, coroada por uma chávena de chá bem quente e uns scones e uma fatia de bolo caseiro? Ou a sensação de lareira acesa, fogo a crepitar mansinho e olhos brilhantes entretidos em palavras doces e momentos tranquilos? E ainda assim faltam-me as descrições. É isto mas é mais. Por agora fiquemo-nos por uma fatia de bolo caseiro feito com ingredientes a sério e uma chávena de chá perfumado.

Receita aqui.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O povo saiu à rua (3)

Praça José Fontana, Lisboa, 15 de Setembro de 2012

fotografia minha.

domingo, 16 de setembro de 2012

sábado, 15 de setembro de 2012

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

E da noite se fez dia.

Enquanto assistia no Facebook ao 'coiso' que nos (des)governa, fui beijada pela declaração doce de uma aluna. Poupo-vos aos detalhes, não vão fugir daqui a correr, saltando entre posts e links, para não escorregarem na lamechice pungente, mas digo-vos que palavras assim alumiam o dia e aquecem o coração. Fazem valer a pena. Tudo. Não há mais nada que um professor possa desejar. Pronto. Já disse.

domingo, 9 de setembro de 2012

Isto não são excepções e não vai haver aumento de impostos e eu sou o Pai Natal

O (des)governo abre mão de milhões de euros em excepções que simpaticamente epitetou de 'adaptações' e outros sinónimos agradáveis. Honra lhes seja feita que são muito criativos a dourar a realidade: Relvas licenciou-se como se viu mas não é bem assim. É tudo legal e transparente e a léguas de distância de José Sócrates que pelo menos não teve equivalências por rancho folclórico nenhum. Menos mal para ele. Na sexta-feira brindaram-nos com o mais abjecto aumento de impostos, apelidaram-no, contudo, de qualquer outra coisa como se fôssemos incapazes de fazer contas e pensar. Nada é o que parece. Nem mesmo o (des)governo. É bem pior do que parecia.