It's been a long cold lonely winter
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domingo, 21 de março de 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
quarta-feira, 10 de março de 2010
O cabo dos trabalhos
Acabei de ser hoje fiel proprietária de um cabo VGA. Sem ele, pelo que foi comunicado, não haverá projectores para ninguém na Escola, assim como quando alguém vai jantar fora e tem de levar o seu próprio talher e guardanapo, um banco se se quiser sentar à mesa, papel higiénico caso queira usar a casa de banho. O choque tecnológico socrático e as acções de formação em Tecnologias de Informação - e quantas- revelaram-se ineficazes quanto ao uso destes cabos. Ao que parece, suicidam-nos a uma velocidade vertiginosa, um verdadeiro mistério, já que são robustos e não têm ar de ceder à primeira. Se eu quiser usar um projector nas minhas aulas tenho de levar o cabo também. Não é giro? Já comprei muitas coisas para que pudesse dar aulas condignamente, livros, cds, leitores de cds, dicionários, manuais, filmes, e outras coisas mais, mas um CABO? Amanhã iniciarei uma nova etapa na minha vida profissional, darei uso a um inusitado instrumento de trabalho, um cabo, um cabo VGA, uma porcaria de um cabo.
segunda-feira, 8 de março de 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
E já que é sexta-feira...
pela graça dos deuses, não podiam também mandar um solinho, ou será pedir muito?
quarta-feira, 3 de março de 2010
domingo, 28 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Efeito FarmVille (6)
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
O leitor em busca da felicidade
Devia ter desconfiado quando, no dia subsequente à compra, fui dar com ele na estante da auto-ajuda, lá para o lado das espiritualidades numa grande superfície. Lá estava altaneiro entre Os últimos dias de Jesus e A Dieta Limão, encimado por Renascer das Cinzas e docemente aconchegado por A sabedoria nossa de cada dia, lado a lado com Conversas com Deus. Devia ter desconfiado logo pelo título, antes mesmo deste encontro de mau presságio.
Rapariga muito descrente e frequentemente indiferente às receitas de felicidade, céptica convicta no que respeita a fórmulas de bem-estar, doutrinações de caminhos zen e que não fala jamais com Deus(es) em língua alguma, senti uma facada traiçoeira quando o vi naquele preparo. Contudo, o que me falta noutras crenças sobra-me em fé numa parte da literatura portuguesa contemporânea e ao vislumbrar um outro livro de Nagib Mahfouz, que julgo não se dar a caminhos esotéricos, na estante abaixo, julguei que o empregado, esse sim zen e na senda do sentimento etéreo e escapadiço chamado felicidade, teria sido enganado pelo título. Estaria pois em paz com a compra recente.
Os autores. Muito mais do que o título, foram os autores que me levaram a comprar o livro. Cerca de metade dos escritores que assinam as dez histórias contam-se entre os da minha preferência. Foi assim que me atirei ao livro sem sequer pensar duas vezes, há livros que compro cegamente apenas pelo autor, e devorei sempre em busca da felicidade as dez histórias. E nada. No término da cada uma esperava o frémito de que se são feitas as prosas sensuais que perduram além do livro. Mas nada. Coisa nenhuma. Dez histórias banais num volume intitulado Em Busca da Felicidade e teoricamente em busca da dita mas que muito pouco contribuem para a felicidade do leitor. Vagueia-se entre um casal a braços com uma mosca no copo de vinho, num fim de tarde numa esplanada à beira-mar, um jornalista em início de carreira em Londres indignado com a xenofobia e uma estória para contar de uma relação que houve, não houve, haverá. Com alguns lugares-comuns, previsíveis e sem conteúdo e/ou personagens dignas de nota. Falta-lhes substância, profundidade, consistência. Apenas as de Lídia Jorge e Pepetela suscitaram algum entusiasmo. E foram-se uns doze euros. A minha intuição estava certa e devia ter dado nota daquele encontro fortuito lá nas espiritualidades, ouvido as vozes em pleno hipermercado e tê-lo devolvido no dia seguinte, argumentando que me tinha sido enviado um sinal do além ou lá de onde se situam essas coisas sem explicação. Ser céptico dá nisto.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Dúvidas
Uma mulher, um homem, três gatas, um azevinho, uma glicínia, três estrelícias, um rectângulo de relva e uma churrasqueira são uma família tradicional ou tenho de acrescentar o cão do vizinho?
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Nacos de prosa (14)
com a morte, também o amor devia acabar. acto contínuo, o nosso coração devia esvaziar-se de qualquer sentimento que até ali nutrira pela pessoa que deixou de existir. pensamos, existe ainda, está dentro de nós, ilusão que criamos para que se torne todavia mais humilhante a perda e para que nos abata de uma vez por todas com piedade. e não é compreensível que assim aconteça. com a morte, tudo o que respeita a quem morreu devia ser erradicado, para que aos vivos o fardo não se torne desumano. esse é o limite, a desumanidade de se perder quem não se pode perder. foi como se me dissessem, senhor silva, vamos levar-lhe os braços e as pernas, vamos levar-lhe os olhos e perderá a voz, talvez lhe deixemos os pulmões, mas teremos de levar o coração, e lamentamos muito, mas não lhe será permitida qualquer felicidade de agora em diante.
valter hugo mãe, a máquina de fazer espanhóis.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Irremediavelmente
O frio irrita-me.
A chuva entristece-me
O Inverno deprime-me
A chuva entristece-me
O Inverno deprime-me
domingo, 14 de fevereiro de 2010
On a Train
The book I've been reading
rests on my knee. You sleep.
It's beautiful out there -
fields, little lakes and winter trees
in February sunlight,
every car park a shining mosaic.
Long, radiant minutes,
your hand in my hand,
still warm, still warm.
Wendy Cope
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Duarte
Lindo, garboso e teimoso o meu mano gato brindou-nos com quinze anos de existência. Quinze anos de algumas sestas em comum, muita independência e uma beleza irresistível. Foi-se-nos sem que mais pudéssemos fazer. E com ele a casa mais vazia e o coração apertado.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Verticalidade
O Primeiro-Ministro tem todo o direito de processar o "Sol" e o "Correio da Manhã" por terem publicado as escutas que se julgavam convenientemente apagadas e longe da cobiça dos voyeuristas que usam "buracos de fechadura" para fazer jornalismo, tem todo o direito de exigir que sejam feitas averiguações para que se descubra afinal como é que de mãos fiéis e leais as conversas ditas privadas se propagaram como uma peste contagiosa pela opinião pública, tem o direito de processar Mário Crespo por calúnias, injúrias, atentado ao seu bom-nome e falsos testemunhos, tem o direito de se defender, processar, exigir que se averigúe. Mas como Primeiro-Ministro tem o dever de esclarecer os cidadãos deste país sobre o plano salazarento, despótico e abjecto de silenciar a comunicação social, correr com os inconvenientes que ousam atentar contra a sua opinião. Negá-lo, por exemplo, desmenti-lo e tranquilizar-nos a todos, restituindo ao país a dignidade de que são feitas as sociedades democráticas. Ou admiti-lo e demitir-se. São assim os homens de carácter. Até agora, silêncio.
Também no Delito de Opinião
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Precavendo o futuro
domingo, 31 de janeiro de 2010
Captain of my soul
A história é comovente, tão comovente que quase parece ficção. Um líder político, presidente de um país a braços com a reconciliação do seu povo, separado durante 42 anos por um regime vil de segregação racial, um desporto reservado à minoria africânder e desprezado pela maioria negra, símbolo do país oprimido e dividido, e a tentativa de harmonizar as diferenças, apagar cores e construir uma identidade colectiva através desse mesmo desporto, o dealbar de uma nação unida. Esta estratégia de uma raríssima inteligência e intuição catapulta para a ribalta o capitão de equipa que a pedido do Presidente eleva os Springboks e, com eles, a nação, gritando em uníssono por um mesmo objectivo. Negros e brancos finalmente unidos. Nada seria igual dali para a frente. Se juntarmos a este argumento baseado no livro de John Carlin, Playing the enemy – Nelson Mandela and the game that made a nation, a realização de Clint Eastwood, Morgan Freeman no papel de Nelson Mandela e Matt Damon como François Pienaar, o capitão da equipa nacional de râguebi, Springboks, obtemos um filme intenso, com momentos comoventes e empolgantes e a sensação de sermos mais um dos espectadores em Ellis Park a torcer pelos Springboks, sabendo secretamente que torcemos pela igualdade de direitos, pela reconciliação e pelos ideais de liberdade tantas vezes apregoados e outras tantas esquecidos. Martin Luther King orgulhar-se-ia do sonho realizado, o muro das diferenças derrubado não por decreto mas pela comunhão de um mesmo pulsar. E assim, uma nova alma e um novo país.
E diz-se por aí que Invictus não será o melhor filme de Clint Eastwood, depois de Million Dollar Baby e de Gran Torino, mas Invictus é certamente um filme belíssimo, sustentado pelo desempenho sóbrio e inexcedível de Morgan Freeman e Matt Damon. As cenas do jogo de râguebi são de uma rara beleza e mesmo sabendo da História que os Springbocks venceram os All Blacks naquele 24 de Junho de 1995, continuamos suspensos e vibramos na expectaiva da vitória, metáfora de esperança de um país que consegue finalmente gritar pelo mesmo ideal, um nós que substitui o eles proferido e praticado ao longo de quatro décadas de segregacionismo bóer. E Invictus de William Ernest Henley que perdura no ouvido It matters not how strait the gate/ How charged with punishments the scroll/ I am the master of my fate:/ I am the captain of my soul.
E diz-se por aí que Invictus não será o melhor filme de Clint Eastwood, depois de Million Dollar Baby e de Gran Torino, mas Invictus é certamente um filme belíssimo, sustentado pelo desempenho sóbrio e inexcedível de Morgan Freeman e Matt Damon. As cenas do jogo de râguebi são de uma rara beleza e mesmo sabendo da História que os Springbocks venceram os All Blacks naquele 24 de Junho de 1995, continuamos suspensos e vibramos na expectaiva da vitória, metáfora de esperança de um país que consegue finalmente gritar pelo mesmo ideal, um nós que substitui o eles proferido e praticado ao longo de quatro décadas de segregacionismo bóer. E Invictus de William Ernest Henley que perdura no ouvido It matters not how strait the gate/ How charged with punishments the scroll/ I am the master of my fate:/ I am the captain of my soul.
Também no Delito de Opinião
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Depois da tempestade
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Uma questão de educação
Quando se tem três raparigas de quatro patas em casa há que cuidar, dar colinho, comidinha, partilhar espaços, sofás, camas, cadeirões, e, muito importante, tratar a bicharada e prevenir-lhes as maleitas. Hoje foi dia de cumprir esta última tarefa e de levar as raparigas ao veterinário que de tanta confiança já passou a ser o meu/nosso veterinário, o tal a quem quero que me levem, já deixei aviso, caso me dê alguma solipampa. Tenho a certeza que me passariam mais a mão pelo pêlo do que os clínicos que costumo frequentar, além de serem sensivelmente mais baratos, muitíssimo mais pontuais e ainda de enviarem as boas festas no Natal, coisa que os médicos jamais fizeram. Só vantagens, como se vê.
Na primeira leva foi a Ruiva. Miou desde que saiu de casa assustada, quando saiu da caixa vinha com o rabo entre as pernas, cheiinha de medo, tremeu o tempo todo e só descansou quando já em casa se viu livre de todos, especialmente do amabilíssimo e em igual grau competente veterinário.
A Lolita foi na mesma leva. Mais calada do que a filha, ficou dentro da caixa a observar tudo à sua volta, mas quando chegou a vez dela ficou igualmente encolhida, com as patas a transpirar e, de repente, virou-se para mim e aconchegou-se sequiosa de protecção, como se alguém porventura lhe fosse fazer mal.
A Guidinha foi a última na segunda e última leva. E a Guidinha é bicho temerário, verdadeiramente felina sem preocupações de quem morde, importante é que não a agarrem e não a aborreçam. Ora a Guidinha é rapariga independente e o veterinário fora avisado deste seu temperamento difícil. Pois assim que se abriu a caixa, estava estancada lá dentro, tivemos que retirar a parte de cima para chegar à bichana e depois foi o que viu. Assustada como nunca, abeirou-se de mim, pedindo protecção como a sua mãe e irmã. E, pasme-se, peguei-lhe ao colo, coisa que detesta e nem sequer permite em casa, e encostei-a a mim.
Se fossem humanos, ter-lhes-ia dito Faz-te mas é à vida, está tremer para quê? À segunda abordagem dir-lhe-ia talvez, Deixa-te de merdas e faz-te uma mulher que ninguém te está fazer mal. No caso das gatas resignei-me à minha função de dona protectora, levemente envergonhada por tanto mas tanto mimo, acarinhando e acalmando os nervos das raparigas e fiquei a pensar que raio de trabalho fiz com elas que são mais mimadas do que as coisas mimadas. A sorte é que não tenho filhos. Imagine-se como sairiam as crias. Longe vá o agoiro. Cruzes credo.
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