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domingo, 20 de maio de 2012

Considerações femininas sobre o fabuloso mundo do futebol


Noventa minutos, uma bola, onze jogadores para cada lado abraçados por uma multidão em júbilo, uma massa exultante que se vai dividindo e esmorecendo, enquanto o tempo decorre e na proporção dos golos metidos nas respectivas balizas. Um balneário vedado aos demais e onde, ao que parece, acontece muito mais do que uma troca de roupa e massagens nos gémeos. E é isto. O futebol para mim é isto. Há contudo variáveis a incluir: se os jogadores são giros e morenos, pode abrir-se uma excepção para alguns louros, ostentam um belo par de pernas e um torso de fazer ruborizar a mais benta das mulheres. A propósito acho um nojo que a UEFA ou a FIFA ou lá quem foi, tenha instituído essa tal regra de marcar falta ou mostrar cartão amarelo aos rapazes que em explosão de felicidade arremessam à maneira masculina as camisolas transpiradas e ostentam os torsos bem definidos. É que, a menos que compremos uma dessas revistas que se ocupa da vida alheia, o povo em austeridade perdeu a oportunidade de ver os abdominais trabalhados do nosso Cristiano Ronaldo e do nosso Nani. Isso sim, é, grosso modo, futebol. O mesmo é válido para os treinadores. Alguns, evidentemente. Outros não só podem como devem manter as camisolas, camisas e blazers, e preservar-se e preservar-nos de visões dantescas. O resto é como digo: um campo, onze robustos e atléticos jovens homens transbordando testosterona para cada lado, duas balizas, uns quantos que supervisionam os excessos dos miúdos, outro que gesticula do banco e pronto. Como em outras situações, parece que estou errada. 
Devia tê-lo percebido naquele dia em que um amigo holandês me mostrou ufano um livro sobre a vitória dos holandeses sobre os alemães. Recuava aos anos oitenta e o livro estava recheado de imagens de homens cabeludos vestidos de laranja e outros igualmente cabeludos e de bigode mas vestidos de branco. Dizia ele que os holandeses toleravam tudo, menos os alemães. Bela tolerância. Fiquei impressionada. Devia tê-lo entendido naquele dia em que sentada na esplanada da Mexicana, um colega benfiquista recusou a água com gás que o empregado lhe trouxera. Diz que era do Sousa Cintra e num outro dia em que, ao passarmos pela montra de uma loja de electrodomésticos, esse mesmo afirmou que não comprava nada marca Phillips. O PSV tinha derrotado o Benfica e isso não se faz.
Acontece que ontem o Chelsea derrotou o Bayern de Munique. Diz que era um jogo importante. Para mim apenas um jogo de futebol. Visto por um outro prisma, um jogo de futebol de duas equipas provenientes de duas cidades que estão nas minhas preferências: Londres em grande destaque e Munique com carinho. O meu mundo por uma Brezel e um Weissbier na Augustiner. Mas não. A derrota dos alemães foi a oportunidade perfeita para aguçar o ressentimento contra os alemães. Como toda a gente sabe, o povo não deve ser confundido com os seus governantes. Cruzes credo se me confundem com o Passos Coelho ou com o homem do ‘coiso’. Angela Merkel não é a Alemanha nem os alemães. Nada disso interessa. Ontem quem perdeu foi a Merkel e a supremacia alemã. A derrota de Merkel ontem no Arena de Munique fez o povo acreditar que ainda há esperança de correr com os alemães. Pouco importa se era o Bayern, o Mönchengladbach, ou o Hertha de Berlim. Podia até ser o FC Badenia St. Ilgen. Nunca a Schadenfreude foi ironicamente tão bem ilustrada. E eu a pensar que o futebol eram onze caramelos e uma bola.


Também no Delito de Opinião

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Olhar de leiga

O mundo insondável do futebol é isso mesmo, insondável. Para quem como eu continua a ver vinte e dois vestidos de cor diferente, é certo, mas ainda assim vinte e dois homens a correr atrás de uma bola, sem grande noção de passes, trivelas e outros truques de magia, o futebol é um mundo hermético. Um universo cheio de subtilezas mau grado a virilidade dos rapazes, prenhe de códigos a serem decifrados e dotado de uma linguagem muito própria. Acresce a tudo isto um código de conduta estranho onde dar uma opinião pode ser punido sem grandes pruridos, atitude que se transferida para uma outra esfera social seria assunto para uma infinidade de posts, acusações, refilanços, vozes que se ergueriam gritando Delito de opinião! No futebol não. É proibido criticar o mister, ou lá como chamam os senhores da bola, os guardiães da rapaziada, os feiticeiros das técnicas e tácticas. Assim sendo quem ousa proferir aquilo que para mim seria um reparo no mundo do futebol é um crime de lesa-mister. Os rapazes calam-se tementes. E depois há as entrelinhas. As 'bocas' que são mandadas para o balneário, esse mundo oculto onde, ao que parece, muito se passa e onde para mim se reúne a rapaziada em trajos menores. 
Mas o que me traz aqui foi fruto da observação directa, pura observação dos misters que se me entram pela casa fora de vez em quando. De norte a sul, os misters são rapazes carrancudos a quem raramente se vislumbra um sorriso. Quer ganhem quer percam tem quase sempre o sobrolho franzido, uma carranca de poucos amigos, um ar de enfado e respondem às perguntas com esgares condoídos. É preciso mostrarem sempre aquelas caras? Estão zangados com o mundo? O futebol dói?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O mundo estranho do futebol

Para uma leiga como eu, o mundo do futebol é um mundo estranho, muito estranho, tão estranho que se torna difícil decifrá-lo. É que não é só o facto de vinte e dois homens correrem como desalmados atrás duma bola, com mais um ou dois ou três a fiscalizar o seu comportamento, não vão fazer traquinices, não é só o mistério do balneário que freudianamente imagino coroado de homens em trajes menores, bem menores, benzós deus, com os corpinhos atléticos e esculturais, ainda luzidios da prática do desporto viril e que contraditoriamente com o faro de perdigueira com que vim equipada de origem me causa até vómitos só de pressentir os odores acres a machos exaustos. Não é só o futebolês, essa linguagem única, cheia de prognósticos depois do jogo ou quadrados que se fazem com três. O que me inquieta neste desporto que há quem diga rei, não é apenas isso, porque como se sabe sou uma republicana empedernida e sou contra cargos que não sejam eleitos por essa massa desalmada chamada povo.
O mundo estranho do futebol caracteriza-se por linhas de orientação onde a palavra pode será sancionada, cortada, calada, proibida. Vejamos Deco. Deco não jogava na posição costumeira, Deco não estava habituado, Deco diz que não estava habituado com aquele seu ar doce de cachorrinho abandonado. Ora se isto fosse num mundo normal não havia nada de mal, o rapaz nunca tinha jogado naquela posição e ao afirmá-lo reportou-se apenas a uma evidência facilmente comprovável, sim, eu sei que reina por aqui uma redundância, mas apeteceu-me. Errado. Deco teve de retratar-se como se tivesse caluniado alguém o Almighty Queiroz, esse Obi Wan Kenobi do futebol luso, o Gandalf dos esféricos lusitanos. Outro exemplo: Hugo Almeida. O jovem e viril rapaz diz que não estava esgotado quando o Queiroz Almighty o substituiu. Contudo, o contraditório surgiu e Queiroz, o Grande, afirmou “Quando eu digo que um jogador está cansado, é porque está cansado.” Livrai-vos pois rapazes de afirmações análogas. Deve ter sido o que aconteceu com Nani “Quando eu digo que tens uma lesão na clavícula, tens uma lesão na clavícula” e por aí fora. Preocupante. Muito preocupante. Imagine-se o que poderá acontecer com todos estes rapazes à mercê das vontades queirozianas e restringidos a duas palavritas apenas Heil Queiroz!
E sendo Queiroz quem é, o Timoneiro da Redondinha, cabem-lhe as decisões técnico-tácticas, reparem nesta propriedade de linguagem, portanto se põe os rapazes a jogar onde não devem, tira os que estão a render e põe os coxos, quando a coisa não corre bem, de quem é a responsabilidade? Pois, desse mesmo. Todos sabem mas ai de quem ousar atravessar essa tormenta da verbalização do óbvio. Coube desta feita ao nosso rapagão que quando questionado por uma justificação para a faena letal dos nuestros hermanos respondeu “Perguntem ao Carlos Queiroz”. Ai dele! Ai de todos nós! Até esse rapaz valoroso que vende pequenos-almoços por insignificantes quantias, o tal que algures em 2002 terá ameaçado sair da selecção do seu país porque tinha um nome a defender, veio apunhalar o derriço da mulherio, a mascote que transpira testosterona e põe os estrogénios em desvairo. Se o futebol não é um mundo estranho, não sei o que é, mas democrático não é com toda a certeza.

Still...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Considerações de uma 'gaija' a ver bola (15)

Volta Scolari!!!

Considerações de uma 'gaija' a ver bola (14)

Coisas que se ouvem cá em casa: 'o Queiroz devia ser sodomizado por uma zebra' e não foi a minha mãe que disse para que conste...

Considerações de uma 'gaija' a ver bola (13)

Os miúdos sem pêlos parecem galinhas depenadas. Credo.

Considerações de uma 'gaija' a ver bola (12)

Sócrates, filho, acabou-se-te o sossego.

Considerações de uma 'gaija' a ver bola (11)

Eduardo a Santo já, ou, pelo menos, Beato.

Considerações de uma 'gaija' a ver bola (10)

Rais parta os miúdos.

Considerações de uma 'gaija' a ver bola (9)

Ó miúdos, pá, têm oito minutos para marcar um golo!!!!

Considerações de uma 'gaija' a ver bola (8)

Estou desolada! a minha vida jamais será a mesma depois de ter largado um impropério à frente da minha mãe.

Considerações de uma 'gaija' a ver bola (7)

Se eu podia ver a bola sem o Facebook e as minhas amigas? Podia, mas jamais seria a mesma coisa!

Considerações de uma 'gaija' a ver bola (6)

'Ó Hugo Almeida, pá!!' transcrição fiel do que se ouve cá em casa.

Considerações de uma 'gaija' a ver bola (5)

O Poyol já cortava aquele cabelo, parece o Peter Frampton.

Considerações de uma 'gaija' a ver bola (4)

O Ronaldo é feio mas é um grande cavalão, benzó deus como o miúdo cresceu.

Considerações de uma 'gaija' a ver bola (3)

'O canhoto da Figueira da Foz' é bem.

Considerações de uma 'gaija' a ver bola (2)

Os nossos miúdos são mais giros que os espanhóis, excluindo o Bruno Alves.