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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Insanos e outros imbecis

Tivesse eu o humor suficiente para lidar com a situação e certamente seria capaz de escrever um livro inteiro com as aberrações da comandita do NÃO. Por exemplo, a carta, que foi metida nas mochilas das crianças de um jardim de infância em Setúbal, é um testemunho importante das pérolas com que o NÃO tem colorido o país. Diz-se, algures, diz o filho por nascer à mãe "Por acaso pensavas comprar uma máquina de lavar ou um aspirador, com os gastos que talvez eu te iria causar?" Para a próxima vez que precisar de comprar uma máquina de lavar ou um aspirador talvez deva ir a correr fazer um filho. É que tem tudo a ver.

20 comentários:

  1. viver não é fácil.
    guente firme.
    beijo,
    M.

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  2. Quem escreveu esta carta deve ter medo do sim receando que a lei tenha efeitos retroactivos - uma possibilidade que não me desagradaria de todo, depois de ler este estrume fumegante.

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  3. Também ouvi a notícia ontem e fiquei enojada. É que é mesmo um nojo. Depois admiram-se que tanta gente que quer o Sim se revolte. "Cortaste-me aos bocados e deitaste-me num caixote"?? Mas está tudo doido?
    E depois ouvir pessoas dizer que: "ah, achava melhor q me tivessem entregue a mim e não aos míudos, mas tudo bem."!!!!!!!

    Deixa-os falar, L, e passa por cima...
    Jinhos e bom fim de semana.

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  4. Obrigada, meninas, mas isto vai-me aos nervos.

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  5. Pois vai L. aos nervos, mas icomo te disse antes a faccao oposta consegue ser tao idiota como esta. O que me dizes a esta perola?

    "Eu tive filhos, mas esses foram desejados, quando não se deseja um filho ele não é um filho, não existe, não é nada."

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  6. Digo-te que é uma estupidez também, mas também sei de mulheres mães que dizem algo semelhnate aos filhos. Quando acuso o NÃO não encontro tudo o que se diz do lado do SIM como a alternativa certa. Convenhamos, no entanto, que não são tão estúpidos, básicos e medievais, nem moralistas, nem dei conta que tivessem feito coisas destas e usado as crianças para a campanha. A sensação que fica do discurso da plataforma do Não Obrigada é que as mulheres são umas galdérias que fazem abortos a torto e a direito e que, se a IVG for despenalizada, vai ser um caos. O Ribeiro e Castro já culpou publicamente a taxa de nascimentos pela actual situação económica do país e que portanto, com a despenalização da IVG, irá ser calamitoso. Outra coisa que me irrita é aparecerem mulhres a dizer que ao engravidarem sem o desejar preferiram ter as crianças. E então? Alguém vai obrigar alguém a fazer um aborto? Se assim decidiram e estão felizes, ainda bem. Vão continuar a poder fazê-lo, caso o sIM ganhe no referendo. Nada disso irá ser alterado. Continuo a achar que é uma questão da consciência e dos contextos de cada um. O facto de ser despenalizado não obriga ninguém a nada. Aliás, o Não Obrigada passa uma imagem fantástica das mulheres... Segundo o "Público" de hoje, ontem andaram no Chiado a fazer campanha com réplicas de fetos de 10 semanas na mão e com crianças a distribuir folhetos e a fazer campanha. Assim se vê.

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  7. Concordo com a leonor. Com todos os disparates que a plataforma do Sim possa dizer, ainda não encontrei paralelo com as baixezas do Não. E não consigo entender aquela posição de ser contra a alteração da lei, mas ser também contra a penalização das mulheres que abortam. Se a lei existe, deve ser cumprida, elas devem ser julgadas e presas. Se não, altere-se a lei. E a instrumentalização das crianças para a campanha é pura e simplesmente inqualificável.

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  8. A questão é exactamente essa. Quando critico o Não, não estou a defender o SIM, estou apenas a mencionar o que para mim é injustificável e nada dignificante. Quam defende tanto a vida não deve levar as criancinhas para fazer campanha. Que bem protegem os seus filhos! Estarão decerto a seguir as pisadas do Cardeal Patriarca que, para a mensagem de Natal ou Ano Novo, tinha crianças em pano de fundo. Da camapanha de ontem no Chiado também gostei do "queremos que nasçam crinças comunistas". Mas isto faz algum sentido?

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  9. Concordo com voces, a muita da A campanha do Nao e feita por pessoas extremamente primarias e tacanhas que provavelmente estao a fazer um desfavor a causa que defendem, mas o Sim tambem e demagogico, que caracas! E e de uma maneira muito mais subtil e sofisticada. Nunca usaram criancinhas,verdade- mas fizeram tudo para tornar uma questao religiosa o que nao e, tambem pretendem passar a imagem que quem defende o NAO sao pessoas ricas e hipocritas (ate o PUBLICO, que normalmente e isento sofre desse mal), que e uma questao que so afecta os mais pobres, que um embriao e um monte de celulas e que ha um flagelo de aborto clandestino em Portugal e que um numero irrealisticamente alto de mulheres fazem abortos todos os anos (que contraria tudo o que e dado existente e e muito facilmente rebativel com umas quantas estatisticas e um livro de biologia humana dos mais basicos e uma consulta a dados estatisticos). Isso tambem nao vos parece mal? Tentam como o NAO apelar aos bom coracao do eleitorado, e nesse aspecto sao mais bem sucedidos por que o que o NAO tem vindo a fazer uma campannha deveras desastroso-mas a manipulacao e a mesma e quanto a mim nojenta (independentemente do lado da campanha em questao)
    . A acomunicacao social tambem tem algumas culpas no cartorio porque tem feito tudo para corroborar essa imagem do tipico defensor do SIM como um rato de sacristia da linha de Cascais
    Os dois lados nunca jamais em tempo algum abordam a questao pelo que e, e isso e que me chateia sobretudo.

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  10. Quem o tornou uma questão religiosa é a própria igreja, que se fosse inteligente estava quietinha no seu canto, em vez de pôr os demónios a arejar e aproveitar tudo o que é ocasião para falar do mesmo. A minha decisão, SIM obviamente, não se apoia em movimentos e pela enésima vez digo que criticar o Não não é apoiar o SIM, enquanto movimentos de campanha. Se queres saber associo o Não, o movimento, claro a uma camada hipócrita. É só olhar à volta e ver. Se as filhinhas aparecerem grávidas em casa, vão fazer o quê? Dar graças a deus por uma nova vida? A que propósito é quem vêm agora dizer que é preciso dar mais apoio à maternidade e fazer campanhas como a Ajuda de Berço? Isso deve ser feito SEMPRE e não como uma manobra de diversão e muito menos de campanha. Quanto aos números, a quantidade não me parece desculpa, mesmo que fossem meia dúzia de mulheres seriam sempre o suficiente para ter condições mínimas de dignidade. O que está em questão é a despenalização, não o aborto em si.
    Em relação à comunicação social, e esse é um argumento muito utilizado, resta-me dizer-te que o que vejo com os meus próprios olhos não é manipulado, só se for pela própria igreja, por exemplo. Quem é que lá pôs a carta? Foi o SIM? Foi a comunicação social? Quem é que usa as crianças na campanha? Quem é que acha que a mulher deve ir para a prisão se fizer um aborto? O NÃO tem abusado em disparates, nada que não fosse previsível, vindo de quem vem.

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  11. Joana, a tua visão de tudo isto é obviamente muito influenciada pela tua posição sobre o aborto. Eu não voto SIM por fazer parte de movimento algum. Estou a borrifar-me para o facto de os abortos clandestinos já não serem feitos em vãos de escada, são clandestinos e pronto. Este referendo não se refere a uma legalização do aborto, mas a uma despenalização, que aliás já existe de facto, como não se cansam de dizer os arautos do NÃO. Ora eu sou uma pessoa muito parva: se uma coisa está em letra de lei, acho que deve ser cumprida, portanto não percebo como é que há pessoas que se opõem a uma despenalização e simultaneamente defendem que as mulheres que violam a lei não sejam penalizadas. Por mim, respeito quem é contra o aborto, mas quem é contra o aborto devia sê-lo em todas as circunstâncias: violação, deficiência, etc. Também estou a borrifar-me para a excomunhão prometida a quem vota SIM, mas, se fosse católica, sabendo que isso está patente na Lei Canónica, levaria isso a sério, ao contrário de muitos católicos que acham isso um disparate - lei é lei. E acho que as tuas intervenções têm sempre enfermado de um pressuposto: é que quem vota SIM acha muito bem o que dizem os movimentos do SIM. Eu não vou em grupos, não ligo a movimentos, e neste assunto tenho convicções tão profundas que me é indiferente o que seja dito pelo SIM. E não sou obrigada a ser imparcial. Antipatizo profundamente com os argumentos do NÃO, mais, antipatizo com o modo como esses argumentos são expostos, não me considero estúpida a ponto de me deixar manipular pela imprensa ou seja pelo que for, e não tenho obrigação nenhuma de desculpar anormalidades do NÃO com anormalidades do SIM. Não me comovo com modelos de fetos de 10 semanas a chuchar no dedo, a imagem de um feto de 10 semanas a brincar no útero materno e a ser atacado por uma faca que o corta aos bocadinhos eriça-me os pêlos da nuca, e não acredito nem por um momento que esta retórica seja alimentada por um grama de amor à vida seja de quem for. O facto de 80% destas imagens de gosto duvidoso terem origem em organizações católicas e para-católicas é um facto, quer te agrade, quer não.

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  12. Quando eu digo que ha distorcao de factos e quando ouves dizer que ha 190.000 abortos clandestinos por ano em Portugal quando se sabe que a estimativa correcta do numero real anda perto dos 18-20000.Eu nao estou a desvalorizar casos individuais que sao muito dramaticos, longe disso. E onde te digo que ha manipulacao mesmo da parte da comunicacao social, e que tu sabes-e ainda bem-das cavaladas que dizem os padres mas as da esquerda caviar nunca sao desmontadas ou enfatizadas? O discurso demagogico so e mau se vier de um dos lados?
    Ja agora,achas que a dispenalizacao vai resolver o problema de quem tem que recorrer a uma jeitosa porque nao tem dinheiro para ir a clinica? Nao sendo liberalizado o problema continua tal e qual ipsis verbis
    E outro facto que deixo a tua consideracao, 90% da populacao portuguesa e catolica-se fossemos todos tao vitimas de lavagem cerebral como anda a ser apresentado, o SIM conseguiria no maximo 10% dos votos.
    Acho que antes de se andar para ai a chamar hipocrita ou assassino a algum, convem ver o que e que as pessoas pensam e sentem de facto. Para alguem que nao acredita que um embriao e um ser humano e mais do que logico que o direito a escolha prevaleca e nem vale a pena estar a discutir se a questoes mais ou menos validas para fazer um aborto.E muito bem, posicao muitissimo corente e que eu aceito perfeitamente desde que a pessoa me justifique porque e que acha que o embriao nao e um ser humano.
    Para quem acredita que e um ser humano,defender que o podes matar so e aceitavel perante condicionamentos muito fortes (como tambem noutros casos e aceitavel matar alguem em condicoes extremas). Tambem acho esta posicao perfeitamente defensavel, se a pessoa me explicar o que a leva a achar que esta perante um ser humano.
    Tudo o mais aqui a volta sao falsas questoes e demagogia

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  13. Joana, de uma vez por todas, e esta é mesmo a minha última intervenção:
    - o discurso demagógico é sempre mau
    - não tenho de justificar perante ninguém porque é que certas demagogias me irritam mais do que outras
    - não sou católica nem professo qualquer religião porque não consigo ter a postura de que a religião é um buffet de onde posso retirar o que me agrada e deixar o resto
    - para mim um embrião de 10 semanas não é um ser humano como um feto de 40 semanas ou uma criança de 4 anos
    - vou votar SIM e não tenho de dar contas disso a ninguém, nem peço contas a quem vota NÃO - aliás, até agradeço que não mas dêem.

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  14. Mas eu nao pedi justificacoes nenhumas das intencoes de voto de ninguem. Alias para que conste, nao sei em que votar neste caso referendo.

    E como toda a gente aqui, tambem ha demagogias que me irritam mais do que outras-sobretudo quando sao mais bem construidas e mais dificeis de desmontar pelo que sao.Coisa que todos nos reconhecemos a demagogia associada a faccao SIM e de facto muito mais eficaz, subtil e sofisticada-e talvez por isso mesmo me seja tao desagradavel como a carta grotesca que o infantario de Setubal andou a meter nas mochilas dos meninos
    E vou repetir pela milesima vez, o discurso das criancinhas e as fotografias dos fetos abortados e inaceitavel.

    Como catolica acho extremamente ofensivo que sugiram que nao sou capaz de pensar pela minha cabeca e que tenham tranformado isto numa questao religiosa-e esse sentimento de repulsa estende-se igualmente a faccao SIM (que pretende que por ser catolica nao consigo decidir livremente) e a faccao NAO de cariz religioso que pretende que pelo facto de o ser tenha que votar de acordo com os ditames da igrja catolica.

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  15. O que está ser referendado não é se um embrião é ou não um ser humano, nem sequer vou entrar nessa discussão. O que diz a esquerda caviar não me interessa neste momento, principalmente porque ainda não lhes ouvi as bacoradas que ouço do NÃO e o meu blogue não é um órgão de comunicação social, portanto reservo-me o direito de escrever o que me passa pela cabeça. Não estou hipotecada a movimento algum e prezo acima de tudo a opinião livre. Neste momento entristece-me que algumas pessoas que defendem o Não sejam tão básicas. Obviamente que isto não para ti. Prezo a tua opinião e respeito quem diz Não, sem usar argumentos débeis e moralistas. Gostaria que o meu SIM também fosse respeitado sem moralismos de pacotilha. Os disparates do Não são dos disparates do Não, por muito que te custe, e não têm de ter um contraponto no SIM, nem de ser desculpados por quem move a campanha. Se assim é, assim são, não me parece que estejam preocupados com a imagem errónea que estão a passar, muito pelo contrário, andam ufanos e orgulhosos na sua defesa pela vida. De resto, como já disse, o meu voto no SIM não é no movimento, nem sequer um voto de protesto pelo NÃO.

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  16. Mas a Igreja Católica é que se tem empenhado para que os seus fiéis votem NÃO, é ela que passa esse atestado de menoridade, mais ninguém. De resto, há uma facção de católicos pelo SIM.

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  17. Por compreensão, amor, solidariedade às mulheres, penso que o aborto deve ser legalizado, e as mulheres que, infelizmente, venham a precisar utilizá-lo devem ter o direito respeitado com dignidade. Penso que em sã consciência ninguém é afvor do aborto, mas é um direito da mulher decidir se deve/quer/pode gerar um filho. É uma questão de fórum íntimo, e não penal.
    Um beijo,
    Martha

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  18. Uma parte do texto que ainda penso colocar esta semana no GR:
    «...se eu não achar que as mulheres têm a capacidade de escolha, que capacidades é que terão elas para educar um filho?»
    Boa semana, colega ;)

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  19. Claro, colega! ;-)
    Até ando com a esrita bloqueada...

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