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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Uma questão de educação

Quando se tem três raparigas de quatro patas em casa há que cuidar, dar colinho, comidinha, partilhar espaços, sofás, camas, cadeirões, e, muito importante, tratar a bicharada e prevenir-lhes as maleitas. Hoje foi dia de cumprir esta última tarefa e de levar as raparigas ao veterinário que de tanta confiança já passou a ser o meu/nosso veterinário, o tal a quem quero que me levem, já deixei aviso, caso me dê alguma solipampa. Tenho a certeza que me passariam mais a mão pelo pêlo do que os clínicos que costumo frequentar, além de serem sensivelmente mais baratos, muitíssimo mais pontuais e ainda de enviarem as boas festas no Natal, coisa que os médicos jamais fizeram. Só vantagens, como se vê.
Na primeira leva foi a Ruiva. Miou desde que saiu de casa assustada, quando saiu da caixa vinha com o rabo entre as pernas, cheiinha de medo, tremeu o tempo todo e só descansou quando já em casa se viu livre de todos, especialmente do amabilíssimo e em igual grau competente veterinário.
A Lolita foi na mesma leva. Mais calada do que a filha, ficou dentro da caixa a observar tudo à sua volta, mas quando chegou a vez dela ficou igualmente encolhida, com as patas a transpirar e, de repente, virou-se para mim e aconchegou-se sequiosa de protecção, como se alguém porventura lhe fosse fazer mal.
A Guidinha foi a última na segunda e última leva. E a Guidinha é bicho temerário, verdadeiramente felina sem preocupações de quem morde, importante é que não a agarrem e não a aborreçam. Ora a Guidinha é rapariga independente e o veterinário fora avisado deste seu temperamento difícil. Pois assim que se abriu a caixa, estava estancada lá dentro, tivemos que retirar a parte de cima para chegar à bichana e depois foi o que viu. Assustada como nunca, abeirou-se de mim, pedindo protecção como a sua mãe e irmã. E, pasme-se, peguei-lhe ao colo, coisa que detesta e nem sequer permite em casa, e encostei-a a mim.
Se fossem humanos, ter-lhes-ia dito Faz-te mas é à vida, está tremer para quê? À segunda abordagem dir-lhe-ia talvez, Deixa-te de merdas e faz-te uma mulher que ninguém te está fazer mal. No caso das gatas resignei-me à minha função de dona protectora, levemente envergonhada por tanto mas tanto mimo, acarinhando e acalmando os nervos das raparigas e fiquei a pensar que raio de trabalho fiz com elas que são mais mimadas do que as coisas mimadas. A sorte é que não tenho filhos. Imagine-se como sairiam as crias. Longe vá o agoiro. Cruzes credo.

7 comentários:

  1. O que me surpreende, Leonor, que não tenho raparigas nem rapazes de quatro patas, é como estas criaturinhas ditas irracionais já compreenderam – parece até que lhes é inata essa compreensão - que, pior do que as doenças, só os médicos. Nós, os racionais, só lá chegamos ao cabo de uma data de anos. ;-D

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  2. Shiii, Leonor, dizer (escrever dá no mesmo ou ainda é pior) "cruzes credo" dá sorte... quer dizer, do seu ponto de vista leia-se azar... (risada abafada)
    Pois claro, nem queremos imaginar como seriam as crias... ficamos apenas com uma pálida ideia de que sairiam à mãe... (quase sufoco de tanto abafar o riso)
    (Com o devido e elevado respeito pelo pai)

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  3. É engraçado como nos surpreendem com as suas reacções. As minhas por acaso até foi o esperado quando foram à vet agora para as operações. A Ema quando foi tirar o fato ia matando toda a gente :P
    (o teu veterinário não faz consultas ao domicílio para aqui, não?? dava um jeitaço :))

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  4. É impressionante mesmo, Luísa, mas os gatos reagem muito mal a tudo o que seja mudanças. Ir ao médico implica uma alteraçãozita na rotina das bichanas.

    Tadinhas das minhas crias, Mike ;-)

    As minhas nunca tinham ficado com tanto medo, não dá para compreender. O meu vet é fantástico, é verdade, carote mas impecável.

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  5. "A sorte é que não tenho filhos"

    Dá que pensar...

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