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Com cinco milhões de cópias, apenas do último CD, vendidas em todo o mundo e um sucesso retumbante e ascensão meteórica, a frágil e jovem diva espalha e desperdiça o talento e divide o mundo entre críticos e solidários, puritanos e admiradores, uma panóplia de adivinhadores da desgraça tal como acontece no site em que são feitas previsões sobre a morte da cantora e uma imensidão de vaticinadores do infortúnio. Amy é tudo menos consenso e se consenso se lhe aplica tem lugar num único ponto: o talento de que a belíssima voz é parte imprescindível.
Esqueçamos então a figura controversa, a imagem da mulher desalinhada e desesperada que exibe em palco a tragédia da sua própria vida, patética e decadente, e ouçamos apenas a voz portentosa. Esqueçamos também o seu percurso pessoal e ouçamos o que tem para nos dizer. Love is a losing game, por exemplo, é um hino às adversidades do amor, Back to black, o lamento da perda e do amor infeliz, Wake up alone, a solidão que se abate como o sol poente no quotidiano, Tears dry on their own, um tema perfeito para as mulheres que já experimentaram as lágrimas secar por si, muitas de nós, acredito. Há mais em Amy do que apenas Amy. Existe um sentimento muito feminino, intemporal e transversal de perda, solidão e rejeição. Quanto de nós não é Amy também?
Crónica escrita há uns anos e republicada hoje em jeito de homenagem a Amy Winehouse que nos deixou hoje.
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