Malvado! Mentiroso! Aldrabão! Vá lá, anda! De há uns meses a esta parte a conversa repete-se e isto porque o bicho em questão mente com todas as letras possíveis e mesmo depois de lhe enfiar um CD, uma, duas, três, quatro, cinco vezes, continua pantomineiro a atirar-me à cara NO DISC. Pois se há coisa que me exaspera, irrita, assanha, eriça, enfurece e embravece é mentirem-me na cara. Depois de engolidos um, dois, três, quatro, cinco CDs diferentes, ele continua a dizer-me NO DISC e mais uma tentativa NO DISC, outra NO DISC. Mudo de CD, quem sabe está farto do mesmo? Agora, por exemplo, deu em passar Orishas e assim se tem mantido. Ao que parece, o CD preferido dele é Emigrante, não o censuro, também é o meu, mas, por exemplo o El Kilo também não é mau, mas esse nem vê-lo, é esse e o Mi Sueño de Ibrahim Ferrer, isto já para não falar do Universo em meu Redor da Marisa Monte. Não sei se a idade dos leitores de CDs se mede como a dos gatos, se assim fosse este rondaria as seis décadas de vida. Vetusto, é um facto, mas desistir de viver agora? Passei uma parte significativa da minha vida com ele a meu lado, embalou-me, fez-me rir e chorar e agora vai-se? O meu leitor de CDs é mais ou menos como os companheiros de vida: recusam-se a fazer o que queremos, eventualmente uma inverdade aqui ou acolá, mas o coração é um rapaz em quem não se pode confiar e continuamos a chamar-lhes meu xuxuzinho, meu bichinho, morzinho, para quem é de amor, amor da minha vida, para os menos exuberantes, e outros epítetos tão açucarados que provocariam coma a qualquer um. Assim é o meu leitor de CDs: pantomineiro, maniento, só toca o que quer, quando quer e como quer, às vezes solta umas mentiras, faz-se de surdo e de doente Ai que se me doem os botões mas eu continuo a gostar dele e, tal como aos maridos ou quejandos, essa é a única razão pela qual não o mando borda fora Xô, bicho do inferno! Quem sabe não encontraria alguma que lhe compreendesse as manhas. foto: minha







Em conversa com uma aluna sobre Roma, e no rescaldo de uma visita em comum a Munique, ela foi assertiva ao afirmar que tinha preferido algumas coisas de Munique, não haver prédios altos, por exemplo. Perorámos entretanto sobre o facto de a cidade ter sido destruída durante a 2ª Guerra Mundial, estima-se entre 80 a 90%, e informei-a ainda sobre as leis muito restritivas no que respeita ao planeamento urbano da cidade, nomeadamente, à proibição de construir mais alto do que as torres de Frauenkirche no centro da cidade, assim me disseram também no passado. Como futura estudante de arquitectura, as questões do planeamento urbano despertam-lhe o interesse e, durante os dias de Munique, andou encantada com a arrumação e organização da cidade, os espaços verdes como entremeios na cidade.




















